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Lula sobre tarifaço: ‘Não podemos aceitar tratamento que os EUA deu ao Brasil’

Presidente chamou Marco Rubio de ‘latonoamericano frustrado’, anunciou carta a Trump e citou golpe de 1964 em críticas à política comercial americana

Lula sobre tarifaço: ‘Não podemos aceitar tratamento que os EUA deu ao Brasil’

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Reprodução: Youtube @LulaOficial

Brasília (DF) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (3) que o Brasil não pode aceitar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos em relação às novas tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi dada durante a abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, após autoridades americanas proporem um novo tarifaço.

“Nós somos muito grandes, temos muita história. E nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana. Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos”, declarou o presidente.

Carta a Trump e críticas a Rubio

Lula afirmou que enviará uma carta ao presidente americano, Donald Trump, e fez duras críticas ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, descendente de cubanos.

“Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, é um latino-americano frustrado”, disse Lula.

As declarações ocorrem depois que Rubio afirmou, na terça-feira (3), que o Brasil não é um país amigável aos interesses americanos. O chefe do Departamento de Estado é integrante da ala mais ideológica do governo Trump e tem forte influência do movimento Maga (“Make America Great Again”).

O novo tarifaço

Após a conclusão da investigação da seção 301, que prevê um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) divulgou na madrugada desta quarta-feira (3) uma nova análise que também inclui o Brasil.

Trata-se de um caso investigado sobre o suposto uso de trabalho forçado por 59 países e a União Europeia. A tarifa aplicada nesse caso será de 12,5%.

Lula afirmou que soube do tarifaço por meio de redes sociais, não por uma comunicação oficial. O presidente relatou que conversou sobre tarifas com Trump durante uma visita ao presidente americano no início de maio, e que as novas propostas o surpreenderam porque ainda havia negociações em andamento.

Aproximação de Bolsonaristas com Trump

O presidente também mencionou o alinhamento da família Bolsonaro ao governo Trump, afirmando que há interesses eleitorais por trás da pressão americana.

“Estão querendo trair o Brasil com interesses mesquinhos de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria”, disse Lula.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro tem interlocução com funcionários do Departamento de Estado, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, se encontrou com Marco Rubio durante viagem aos EUA, que também incluiu uma conversa com Trump.

Referência ao golpe de 1964

Em tom histórico, Lula citou o golpe militar de 1964, que teve apoio americano e resultou na ditadura no Brasil, encerrada em 1985.

“Nós já sabemos que, antes dessa jogada deles [Estados Unidos], esse país foi vítima de golpe em 1964, e naquele tempo articulado por embaixadores americanos no Brasil. É importante que eles saibam que nós conhecemos a história, que não queremos guerra, que nós queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos, e queremos fortalecer nossa relação institucional com os Estados Unidos”, declarou o petista.

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