
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Reprodução: Youtube @LulaOficial
Brasília (DF) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (3) que o Brasil não pode aceitar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos em relação às novas tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi dada durante a abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, após autoridades americanas proporem um novo tarifaço.
“Nós somos muito grandes, temos muita história. E nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana. Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos”, declarou o presidente.
Carta a Trump e críticas a Rubio
Lula afirmou que enviará uma carta ao presidente americano, Donald Trump, e fez duras críticas ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, descendente de cubanos.
“Esse Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, é um latino-americano frustrado”, disse Lula.
As declarações ocorrem depois que Rubio afirmou, na terça-feira (3), que o Brasil não é um país amigável aos interesses americanos. O chefe do Departamento de Estado é integrante da ala mais ideológica do governo Trump e tem forte influência do movimento Maga (“Make America Great Again”).
O novo tarifaço
Após a conclusão da investigação da seção 301, que prevê um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) divulgou na madrugada desta quarta-feira (3) uma nova análise que também inclui o Brasil.
Trata-se de um caso investigado sobre o suposto uso de trabalho forçado por 59 países e a União Europeia. A tarifa aplicada nesse caso será de 12,5%.
Lula afirmou que soube do tarifaço por meio de redes sociais, não por uma comunicação oficial. O presidente relatou que conversou sobre tarifas com Trump durante uma visita ao presidente americano no início de maio, e que as novas propostas o surpreenderam porque ainda havia negociações em andamento.
Aproximação de Bolsonaristas com Trump
O presidente também mencionou o alinhamento da família Bolsonaro ao governo Trump, afirmando que há interesses eleitorais por trás da pressão americana.
“Estão querendo trair o Brasil com interesses mesquinhos de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria”, disse Lula.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro tem interlocução com funcionários do Departamento de Estado, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente, se encontrou com Marco Rubio durante viagem aos EUA, que também incluiu uma conversa com Trump.
Referência ao golpe de 1964
Em tom histórico, Lula citou o golpe militar de 1964, que teve apoio americano e resultou na ditadura no Brasil, encerrada em 1985.
“Nós já sabemos que, antes dessa jogada deles [Estados Unidos], esse país foi vítima de golpe em 1964, e naquele tempo articulado por embaixadores americanos no Brasil. É importante que eles saibam que nós conhecemos a história, que não queremos guerra, que nós queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos, e queremos fortalecer nossa relação institucional com os Estados Unidos”, declarou o petista.
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