
Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM
Uma fiscalização da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) identificou problemas de infraestrutura, climatização e na rede elétrica em duas escolas estaduais de Manaus. A vistoria foi realizada na sexta-feira (25) pelo Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania (Gidec), após denúncias de pais e professores.
As unidades vistoriadas foram as escolas estaduais Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, na Zona Centro-Oeste, e Hermenegildo de Campos, na Zona Sul da capital.
Na Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, que possui cerca de 480 alunos matriculados, professores relataram dificuldades enfrentadas desde a mudança para o modelo de ensino em tempo integral. Entre os problemas encontrados estão a falta de espaço adequado para descanso dos estudantes, uma quadra sem cobertura, necessidade de reformas nos banheiros e vestiários e aparelhos de ar-condicionado sem funcionamento.
Segundo a Defensoria, a própria equipe de professores chegou a custear a pintura da quadra da escola. A unidade também possui mais de 15 estudantes neurodivergentes e conta com apenas duas professoras auxiliares para acompanhá-los em sala.
A falta de climatização tem agravado a rotina de alunos e profissionais, principalmente diante das altas temperaturas registradas em Manaus. Para o defensor público Arlindo Gonçalves, integrante do Gidec, os relatos apontam que parte dos reparos estruturais vem sendo realizada pelos próprios funcionários.
Mãe relata dificuldades causadas pelo calor
A situação também foi relatada por familiares. Jaiane Mourão, de 35 anos, mãe de uma estudante do 7º ano, afirmou que a filha tem pedido para não frequentar as aulas devido ao calor.
Segundo ela, já foram protocoladas três reclamações junto à Secretaria de Educação e Desporto, sem retorno até o momento. A mãe afirmou ainda que reconhece o esforço da direção e dos professores, mas destacou que muitos dos problemas dependem de providências da administração pública.
Alunos estão sem aulas há quase um mês
Na Escola Estadual Hermenegildo de Campos, a principal dificuldade está relacionada à rede elétrica. O problema começou no início de setembro e afetou o funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado, levando a unidade a entrar em reforma.
Com as atividades suspensas, os estudantes estão há quase 30 dias sem aulas presenciais. A previsão informada aos responsáveis é de transferência temporária para a Escola Estadual Professor Antenor Sarmento, também localizada na Zona Sul.
De acordo com Arlindo Gonçalves, a rede elétrica não suportou a utilização dos equipamentos de climatização diante das condições climáticas da capital. A transferência temporária foi discutida com a direção da escola.
Seduc anuncia providências
Procurada, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) informou que as duas escolas estão incluídas no cronograma prioritário de atendimento do Departamento de Infraestrutura.
No caso da Hermenegildo de Campos, a secretaria confirmou que os alunos serão transferidos temporariamente para a Escola Estadual Antenor Sarmento durante a realização dos serviços. Segundo a pasta, a decisão foi tomada em conjunto com pais, responsáveis, gestão e comunidade escolar para garantir a continuidade das aulas e a segurança dos estudantes.
A Seduc, porém, não informou a data de início da transferência nem o prazo para conclusão da reforma.
Na Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, uma equipe técnica da secretaria está prevista para visitar a unidade na segunda-feira (28), quando deverá avaliar as condições da escola e definir as medidas necessárias.
Fiscalização faz parte de trabalho criado em agosto
A vistoria realizada nas duas escolas foi a segunda ação do Gidec. Na semana anterior, o grupo esteve na Escola Estadual Vasco Vasques, na Zona Leste de Manaus, onde também foram identificados problemas relacionados à infraestrutura, armazenamento da merenda e distribuição de livros didáticos.
Criado em agosto de 2026, o Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania acompanha a situação da rede pública de ensino no Amazonas. Entre as áreas monitoradas estão a aplicação dos recursos destinados à educação, o piso salarial dos professores, a falta de profissionais, a merenda escolar e a retomada de obras paralisadas.
A atuação do grupo ocorre em meio aos resultados do último Ideb, que apontaram o Amazonas com 3,8 pontos no ensino médio, considerando o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática e as taxas de aprovação.
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