Professores e integrantes da sociedade civil realizaram, na tarde desta quarta-feira (23), um protesto durante uma sessão especial na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) para cobrar providências diante das queimadas e da fumaça que vem encobrindo Manaus.
Segundo relatos dos manifestantes, o grupo foi abordado por policiais militares e tratado como intruso por entrar na Assembleia após os agentes identificarem que se tratava de um protesto. A mobilização tinha como objetivo chamar atenção para os impactos da fumaça e exigir ações mais efetivas do poder público diante da crise ambiental.
A situação ocorre em meio a uma piora significativa da qualidade do ar na capital. Na manhã do dia 23, o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registrou concentração de 324,1 µg/m³ de material particulado, enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para uma média de 24 horas é de 15 µg/m³.
A fumaça é resultado, principalmente, das queimadas que atingem o Amazonas e outras áreas da região. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados 3.240 focos de calor no estado entre 1º e 23 de setembro.
Além dos impactos ambientais, a poluição preocupa pela possibilidade de agravamento de problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A rede estadual de saúde registrou 132 atendimentos relacionados à inalação de fumaça entre julho e setembro.
Em meio ao céu encoberto pela fumaça, o protesto na ALEAM reforçou uma cobrança que cresce entre moradores: que o poder público adote medidas concretas para enfrentar as queimadas e proteger a população dos efeitos da poluição do ar.
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