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Polícia apreende celular e computador de Maria do Carmo em investigação sobre imagens de adolescente

Equipamentos foram recolhidos durante operação em Manaus após o TJAM restabelecer a autorização judicial. Investigação apura possível violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente envolvendo a filha do governador eleito Omar Aziz

Polícia apreende celular e computador de Maria do Carmo em investigação sobre imagens de adolescente

A Polícia Civil do Amazonas realizou, na manhã desta sexta-feira (6), uma operação de busca e apreensão na residência da ex-candidata ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), localizada no bairro Vieiralves, zona centro-sul de Manaus. Durante a diligência, os policiais recolheram o celular e o computador pessoal da política.

Os equipamentos serão submetidos à perícia e à análise de dados para identificar possíveis envolvimentos na divulgação e manipulação de imagens da filha adolescente do governador eleito Omar Aziz (PSD) nas redes sociais.

A operação foi realizada após o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) revogar uma liminar que havia suspendido temporariamente a busca e apreensão. A decisão restabeleceu a autorização judicial para a coleta de provas digitais relacionadas ao inquérito.

Maria do Carmo não estava na residência no início da operação. Ela chegou ao imóvel por volta das 6h18, quando os trabalhos policiais já estavam em andamento.

Delegado afirma que houve resistência durante a operação

O delegado Marcelo Martins, responsável pela condução do inquérito por determinação da Delegacia Geral da Polícia Civil, informou que a equipe enfrentou resistência durante o cumprimento do mandado, principalmente em relação à interpretação jurídica do alcance da decisão judicial.

Apesar das discussões, os policiais conseguiram recolher os dois equipamentos. Segundo o delegado, o material será examinado para esclarecer o grau de participação de cada investigado.

Martins afirmou que a investigação já identificou indícios de violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Agora, o trabalho policial busca individualizar as responsabilidades dos envolvidos.

Ao comentar a divulgação do conteúdo, o delegado classificou a conduta como cruel e afirmou que as redes sociais teriam sido utilizadas para atingir a intimidade e a dignidade da adolescente.

Defesa denuncia perseguição política e possíveis abusos

Após a operação, a assessoria jurídica de Maria do Carmo divulgou uma nota manifestando indignação com a atuação policial. A defesa classificou a diligência como parte de uma suposta perseguição política e levantou questionamentos sobre possíveis abusos de autoridade.

Os advogados também alegaram que garantias legais e prerrogativas da advocacia não teriam sido respeitadas durante o cumprimento do mandado.

Segundo a defesa, a ex-candidata já havia comparecido espontaneamente à delegacia no dia 29 de outubro e manifestado disposição para colaborar com as investigações, inclusive entregando seus equipamentos eletrônicos.

A nota também questiona o vazamento de informações de um processo que tramita sob segredo de Justiça e afirma que Maria do Carmo está confiante em sua inocência.

Entenda a origem da investigação

O caso ganhou repercussão em 25 de outubro, quando Omar Aziz abordou o assunto em seu primeiro discurso após a confirmação da vitória nas eleições estaduais.

Na ocasião, o governador eleito acusou integrantes da campanha de Maria do Carmo de utilizar imagens de sua filha, ainda criança, nas redes sociais, associando-as a acusações de pedofilia contra ele.

Segundo Omar, as fotografias mostravam a adolescente sentada no colo do pai e teriam sido utilizadas de maneira indevida durante a disputa eleitoral. O político afirmou que recorreria à Justiça para responsabilizar os envolvidos.

A Polícia Civil iniciou a investigação para apurar a divulgação e a possível manipulação das imagens, além de verificar a ocorrência de crimes previstos no ECA.

A busca e apreensão foi autorizada pela Justiça durante o andamento do inquérito. Entretanto, após Maria do Carmo comparecer espontaneamente à delegacia, a defesa informou que ela estava disposta a entregar os aparelhos eletrônicos.

No dia seguinte, uma liminar suspendeu temporariamente a diligência em relação à ex-candidata. A decisão, porém, foi revertida na terça-feira (3), pelo desembargador Paulo Feitoza, que restabeleceu a autorização para a operação.

Entre os argumentos considerados estava a necessidade de preservar provas digitais que poderiam ser apagadas ou modificadas.

O inquérito é conduzido pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).

Defesa afirma que ex-candidata está tranquila

Em seu posicionamento, a assessoria jurídica reiterou que Maria do Carmo sempre esteve à disposição das autoridades e que não aceitará o que considera tentativas de constrangimento ou intimidação.

A defesa também declarou que a ex-candidata pretende colaborar para identificar os responsáveis por eventuais violações de direitos.

Na quinta-feira (5), um dia antes da operação, Maria do Carmo publicou um vídeo afirmando que aguardava o cumprimento da diligência e estava preparada para a situação.

“Estou aqui para colaborar e acredito que a Justiça dos homens será feita, porque a Justiça de Deus não falha. O fogo, quando não tem palha, não espalha”, declarou.

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