
Valdemar diz que Michelle Bolsonaro “é um fenômeno” e espera seu retorno ao PL Mulher - Foto: Youtube, Canva
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta semana que pretende manter Michelle Bolsonaro como líder do PL Mulher e descartou categoricamente a possibilidade de substituí-la no comando da ala feminina da legenda. Em declarações a apoiadores e em vídeos nas redes sociais, o dirigente classificou a ex-primeira-dama como um “fenômeno” político e disse que ninguém teria condições de ocupar o espaço deixado por ela à frente do movimento.
No entanto, Valdemar foi além e fez um apelo direto a Michelle: “Ela precisa colocar a cabeça no lugar e repensar essa decisão”, afirmou, referindo-se à saída da ex-primeira-dama da presidência do PL Mulher, anunciada na terça-feira (30). Segundo ele, enquanto Michelle permanecer afastada, as seções estaduais do movimento continuarão sendo conduzidas por lideranças locais, mas a vaga nacional segue reservada para ela.
“Não podemos correr o risco de perder a próxima eleição”
O presidente do PL também fez um alerta político aos integrantes do partido, pedindo união e paciência neste momento delicado. De acordo com Valdemar, uma derrota nas próximas eleições poderia ter consequências drásticas para o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente inelegível e alvo de investigações judiciais.
“Se perdermos a eleição, vocês sabem o que vai acontecer? O Bolsonaro vai ficar preso por mais dez anos. Não podemos correr esse risco”, declarou o dirigente, em tom de preocupação. A fala de Valdemar reflete o clima de apreensão dentro do PL diante do cenário político adverso e das dificuldades judiciais enfrentadas pelo ex-mandatário.
Valdemar diz que Michelle Bolsonaro “é um fenômeno” e espera seu retorno ao PL Mulher
Em entrevista, Valdemar Costa Neto afirmou que não vai substituir Michelle Bolsonaro à frente do PL Mulher porque ninguém tem o carisma dela, e que os estados vão tocar suas seções estaduais… pic.twitter.com/q3pmxRkEw6
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) July 3, 2026
A saída de Michelle e a crise com Flávio Bolsonaro
A decisão de Michelle Bolsonaro de deixar a presidência do PL Mulher foi anunciada na terça-feira (30), após uma reunião com Valdemar Costa Neto em Brasília. O movimento ocorreu em meio a uma crise pública com o enteado e pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em vídeos publicados nas redes sociais, Michelle afirmou ter sido “desrespeitada e humilhada” por Flávio em uma ligação telefônica no final de 2025. A ex-primeira-dama disse que a decisão de se afastar foi tomada para se dedicar “integralmente” ao marido, Jair Bolsonaro, e à filha. Segundo ela, uma conversa com o ex-presidente sobre o momento da família pesou na escolha.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro pediu desculpas publicamente e afirmou que não teve intenção de ofender a madrasta. O episódio, no entanto, acirrou os ânimos internos no PL e expôs rachaduras na família Bolsonaro em um momento crucial para a definição dos rumos da oposição.
Valdemar recua e diz que PL Mulher não será extinto
Na ocasião do anúncio da saída de Michelle, Valdemar Costa Neto havia declarado que a presidência do PL Mulher seria extinta em homenagem à ex-primeira-dama. “Michelle fez um excelente trabalho à frente do PL Mulher, mas, nesse momento, decidiu deixar a presidência nacional porque fez a opção de concentrar suas atividades em cuidar do nosso presidente. Temos que respeitar essa decisão”, disse na época.
Agora, porém, o tom do dirigente mudou. Em suas novas declarações, Valdemar sinalizou que a extinção do cargo não está mais em pauta e que o partido aguarda o retorno de Michelle. “Ela é um fenômeno. Não tem ninguém que ocupe o lugar dela. Vamos esperar ela repensar e voltar”, afirmou.
Impacto político e próximos passos
A saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher ocorre em um momento estratégico, com o partido buscando consolidar sua base feminina e ampliar sua capilaridade nas periferias e entre o eleitorado evangélico — nichos onde a ex-primeira-dama tem forte apelo popular.
Enquanto Michelle permanece afastada, as coordenadoras estaduais do PL Mulher seguirão à frente das atividades regionais. A expectativa agora é se a ex-primeira-dama atenderá ao apelo de Valdemar e retornará ao cargo, ou se a crise familiar e política se aprofundará, alterando os planos do partido para 2026.
O PL ainda não definiu oficialmente seu candidato à Presidência, mas o nome de Flávio Bolsonaro já circula internamente como uma das principais apostas. A reconciliação entre ele e Michelle, portanto, é vista como fundamental para a coesão do grupo político.
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