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Política

TikTok remove perfil que criava vídeos com IA de pastores agredindo mulheres do PT; partido vai acionar TSE

Conteúdos manipulados mostravam cenas de mulheres vestindo camisa do partido levando tapas; deputada Duda Salabert acionou MP e PF

TikTok remove perfil que criava vídeos com IA de pastores agredindo mulheres do PT; partido vai acionar TSE

Brasília – O Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou que vai acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a circulação de vídeos gerados por inteligência artificial (IA) que simulam agressões a mulheres vestindo a camisa do partido. No meio da tarde deste sábado (11), o perfil no TikTok responsável pela criação dos vídeos já havia sido removido da plataforma.

As publicações também circulam em plataformas como Facebook e Instagram. Os conteúdos incitam a violência política dentro de supostas igrejas evangélicas, onde os agressores seriam pastores.

Partido repudia e anuncia medidas

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que o partido adotará medidas legais para remover os materiais e identificar os responsáveis. A ação para retirada do conteúdo será protocolada ainda neste sábado (11). O dirigente petista classificou o caso como “grave, chocante e inadmissível” :

“As denúncias escancaram o nível de degradação a que chegamos: o uso de tecnologia para fabricar ódio, distorcer a realidade e alimentar a violência contra adversários políticos. Isso não é liberdade de expressão. É crime. É violência política. É ataque direto à democracia.”

Denúncia partiu do ICL Notícias

A denúncia foi feita pelo jornalista Leandro Demori e pelo ICL Notícias. Segundo a apuração, os conteúdos utilizam recursos tecnológicos avançados para simular falas e situações, criando narrativas falsas com potencial de incentivar a violência contra o Partido dos Trabalhadores.

A prática é considerada especialmente grave por ocorrer em um contexto de debate público e eleitoral, onde a desinformação pode influenciar opiniões e comportamentos.

Manifestação da presidência do PT

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também se manifestou sobre o caso:

“Esses conteúdos inaceitáveis são um ataque à democracia, à integridade do debate público e à segurança de pessoas e instituições.”

Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que “é fundamental que as plataformas digitais ajam para remover e bloquear esse tipo de material, que é prejudicial à sociedade e contamina o processo eleitoral” , reafirmando a necessidade de não normalizar o uso da tecnologia para promover ódio, desinformação e violência.

Deputada Duda Salabert aciona MP e PF

A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) também se manifestou sobre o caso e relatou ter acionado o Ministério Público (MP) e a Polícia Federal (PF) para investigar os responsáveis.

Segundo a parlamentar, os vídeos mostram cenas falsas de supostos pastores agredindo mulheres que usam camisas do PT — conteúdo que classificou como criminoso e incitador de ódio e violência:

“São vídeos criminosos por diversos motivos. Primeiro porque propagam e difundem ódio contra mulheres, episódio claro de misoginia — porque todos esses vídeos mostram mulheres apanhando. Segundo motivo: porque esses vídeos tentam demonizar e criminalizar uma linha ideológica e política. E terceiro motivo, o crime de intolerância religiosa, porque constrói a imagem de falsos pastores na tentativa de enganar fiéis e propagar o ódio.”

 IA e o risco para o processo eleitoral

Especialistas apontam que o uso de inteligência artificial para criar conteúdos enganosos — como os chamados deepfakes — representa um desafio crescente para autoridades e para a sociedade. Além de dificultar a verificação da veracidade das informações, essas ferramentas podem ser usadas para amplificar discursos de ódio e incitar violência de todo tipo.

O caso reforça a necessidade de regulamentação, fiscalização e conscientização sobre o uso ético da tecnologia, sobretudo em períodos eleitorais.

O que diz o TikTok?

Até a publicação desta matéria, o TikTok não se manifestou oficialmente sobre a remoção do perfil nem sobre os critérios utilizados para a retirada do conteúdo do ar. O espaço segue aberto para posicionamento da plataforma.

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