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Queimadas, crise climática e a disputa política na Amazônia

Investigações sobre incêndios no Pará, a crise ambiental no Amazonas e o debate político sobre mudanças climáticas colocam em evidência a responsabilidade humana diante das queimadas

Queimadas, crise climática e a disputa política na Amazônia

A recente declaração da candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair, classificada pelo autor como representante do campo bolsonarista, também entrou no debate sobre a crise climática. Para o autor, a declaração demonstra uma visão política que minimiza a relação entre ação humana, aquecimento global e mudanças climáticas

Bolsonaristas piromaníacos

Vamos combinar: esse festival de incêndios florestais, definitivamente, não é fenômeno espontâneo. É consenso entre especialistas que a Floresta Amazônica, mesmo nos períodos de maior seca, não pega fogo! Pessoas, criminosos, estão ateando fogo em áreas verdes no sul do Amazonas e na região metropolitana de Manaus, é fato.

Nos estados do Pará e São Paulo, o modus operandi dos bandidos foi elucidado em investigações políciais. No caso do Pará, a Operação Pacto de Fogo, da Polícia Federal, desbaratou, em 2019, uma quadrilha de criminosos ambientais incendiários, bolsonaristas ligados ao Agro, em Novo Progresso. Em grupos de zap, faziam vaquinha para comprar diesel e gasolina e para contratar motoqueiros, orientados a entrar por ramais e lançar a mistura de combustíveis.

Um dos suspeitos ouvidos pela Polícia foi Agamenon Menezes, Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Novo Progresso. Antes de desconfiarem de Agamenon, a polícia já investigava o comerciante, dono da loja agropecuária Sertão, que, num grupo de zap, com 256 pessoas, organizava os ataques. Na verdade, em dois grupos, sendo que num deles, o maior, haviam dirigentes da segurança, como delegados e o Chefe da Superintendência da Polícia Civil do Tapajós.

Agricultores criminosos, policiais fora da lei, milicianos, são os operadores do bolsonarismo em todo o Brasil. Porque aqui no Amazonas seria diferente? Os incêndios nos lixões do Iranduba e de Manacapuru geraram multas pesadas às prefeituras, o que pode nos levar a concluir que, se os prefeitos não são culpados por ordenar que se ateasse fogo nestes lixões, ao menos, por incompetência e negligência criminosa, eles podem ser acusados.

A recente declaração da candidata bolsonarista ao Governo do Estado, a empresária Maria do Carmo Seffair, afirmando seu negacionismo climático, mostra como boa parte deste grupo político pensa, não sendo capaz de associar ação humana ao aquecimento do planeta e, sequer, reconhecendo a crise climática. Dias depois desta declaração, inclusive, a candidata entrou na justiça solicitando a revogação do estado de emergência decretado pelo estado do Amazonas. Diferente de tantas Donas Marias, esta, no caso, sai de seu quarto com ar condicionado para seus veículos com ar condicionado, para seus escritórios com ar condicionado, piscinas e ambientes refrigerados, sendo, portanto, incapaz de saber como funciona “o mundo lá fora”.

O bolsonarismo é um foda-se para o Planeta, um foda-se para a Amazônia, um foda-se para a Zona Franca, para a crise climática. Então, se você é capaz de usar 10% da capacidade de seu Tico e Teco, ser amazonense e bolsonarista vira uma impossibilidade. Definitivamente, as duas coisas juntas não dá!

Por Prof. Welton Oda

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