
Será a maior área de livre comércio do mundo - Foto: Youtube - IA Neo
Assunção, Paraguai – Em uma cerimônia carregada de simbolismo geopolítico, os líderes do Mercosul e da União Europeia (UE) assinaram, neste sábado (17), o ambicioso acordo de livre-comércio entre os blocos, encerrando 26 anos de negociações intermitentes. O pacto, que cria a maior área de comércio do planeta, unindo um mercado de cerca de 780 milhões de pessoas, foi apresentado pelos chefes de Estado e de governo como uma poderosa afirmação do multilateralismo e do comércio baseado em regras, em contraponto a tendências protecionistas e ao uso da economia como arma geopolítica.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, definiu o momento como uma mensagem clara ao mundo. “Com este acordo enviamos uma mensagem clara ao mundo, em defesa do comércio livre baseado em regras, e [a favor] do multilateralismo e do direito internacional como base das relações entre países e regiões”, afirmou. Costa ressaltou que o tratado é uma “aposta na abertura” frente a ameaças de isolamento, visando “esferas de prosperidade compartilhada”.
A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ecoou o sentimento: “Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos parcerias de longo prazo em vez de isolamento”. Ela destacou o potencial do acordo para conectar continentes e gerar oportunidades.

Líderes do Mercosul e da UE assinam acordo e defendem multilateralismo – Foto: Canva – Norte em Foco
Reconhecimento ao esforço diplomático e visões convergentes
Anfitrião do evento, o presidente paraguaio, Santiago Peña, classificou o dia como “verdadeiramente histórico” e fruto do caminho do “diálogo, da cooperação e da fraternidade”. Ele fez um reconhecimento especial ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que não compareceu por questões de agenda. “Sem o presidente Lula, talvez não tivéssemos chegado a este dia. Ele foi um dos responsáveis fundamentais deste processo”, afirmou Peña.
Representando o Brasil, o chanceler Mauro Vieira leu declaração de Lula, que definiu o acordo como “prova da força do mundo democrático” e um instrumento para gerar “ganhos tangíveis, mais empregos e investimentos, maior integração produtiva e crescimento econômico com inclusão social”.
O presidente da Argentina, Javier Milei, embora baseando sua fala nos princípios do livre-comércio, fez um alerta cautelar. Ele defendeu que o espírito do acordo seja preservado e que a implementação evite mecanismos restritivos como cotas e salvaguardas, que, segundo ele, reduziriam seu impacto econômico. Para Milei, a estabilidade macroeconômica e a previsibilidade jurídica são as bases para a prosperidade.
Já o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, classificou o tratado como uma “associação estratégica” e uma decisão de “apostar nas regras em tempos de volatilidade”. Ele ampliou o escopo do acordo, vendo-o também como uma plataforma conjunta para enfrentar ameaças transnacionais como o narcotráfico.
Próximos passos: a via legislativa
Com a assinatura política concluída, o texto do acordo inicia agora sua jornada mais complexa: a ratificação parlamentar. O pacto precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos Congressos Nacionais de todos os Estados-membros da UE e do Mercosul. Este processo pode ser longo e desafiador, sujeito a debates e resistências setoriais em vários países.
Apenas após essa etapa é que a parte comercial do acordo poderá entrar em vigor, de forma gradual, com a redução progressiva de tarifas. A expectativa é que a implementação total leve vários anos, mas a assinatura em Assunção marca o ponto de não retorno de uma parceria que promete reconfigurar os fluxos econômicos entre duas das principais regiões do Ocidente.
Leia mais:
Delegado Tayah questiona fechamento de exposição sobre a Covid-19 no Palacete Provincial e cobra esclarecimentos
Manaus se aproxima dos 2 mil MW e registra maior demanda de energia da história
Vazante avança na Amazônia, mas rio Branco chama atenção em Roraima
Polilaminina entra na primeira fase de testes em humanos para lesões da medula
TSE reforça comunicação com eleitores pelo e-Título antes das Eleições 2026
Da Sala de Aula ao Senado: Evany Nascimento e as Urgências da Amazônia
Primeira corrida lilás do curso de Formação Popular em Direitos das Mulheres
Um comentário orgásmico a respeito de A casa das bonecas e outras histórias, de Márcia Antonelli
JOVEM DE 17 ANOS EMPINA MOTO EM FRENTE A VIATURA E BATE; VEJA O VÍDEO
Delegada Débora Mafra recebe apoio durante caminhada no Educandos, em Manaus