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Colunista

Luís Lemos

Café com Caxiri: Uma Jornada Literária pela Identidade e pela Alma Humana

Em um mercado editorial muitas vezes saturado de fórmulas previsíveis, surge uma obra que promete não apenas entreter, mas provocar uma profunda reflexão sobre a condição humana e as raízes que nos constituem. “Café com Caxiri”, do escritor e filósofo Edgard Zanette, é esse tipo de livro que o leitor não encontra, mas que silenciosamente o encontra, como bem definiu um leitor em um relato apaixonado sobre a obra

Café com Caxiri: Uma Jornada Literária pela Identidade e pela Alma Humana

Foto: Divulgação

Conheci Edgard Zanette na Feira de Livros da Barroso, no ano passado. Acredito que, entre as muitas funções de uma feira de livros, especialmente para quem também escreve, uma das mais importantes seja a oportunidade de conhecer nossos pares. Na ocasião, trocamos livros, autógrafos, uma foto aqui, outra ali, e seguimos, cada um, para os seus compromissos.

Esta semana, aproveitando o recesso escolar, deixava meus olhos passearem, sem pressa e sem grandes expectativas, pelos livros da minha estante, à procura de uma companhia para os dias tranquilos de descanso. Foi então que me deparei com Café com Caxiri. Pronto: foi amor à primeira vista.

Abri suas páginas ainda ali, movido apenas pela curiosidade, e logo percebi que já não conseguiria interromper a leitura. Havia algo na narrativa que me convidava a permanecer, como uma conversa agradável ao entardecer, ou como o aroma de um café recém-passado que insiste em nos fazer ficar por mais um instante.

Página após página, fui sendo conduzido por uma história envolvente e emocionante, daquelas que não apenas se leem, mas se vivem. Ao chegar ao final, tive a sensação de ter visitado lugares, conhecido pessoas e compartilhado sentimentos que permaneceriam comigo muito depois de fechada a última página.

O que mais me chamou a atenção foi à honestidade da narrativa. Edgard Zanette escreve sem pressa e sem floreios desnecessários. Sua escrita é direta, mas profundamente sensível. O leitor não encontra apenas um enredo; encontra um homem refletindo sobre a vida, sobre a escola, sobre as relações humanas e sobre as dores que moldam uma existência. “Somos jogados ao mundo, diz o existencialismo, uma ideia desagradável! As pessoas não são simplesmente jogadas, e sim conduzidas e cuidadas com dor e amor.” (p. 31).

Como professor da rede pública, fui especialmente impactado pelas páginas em que o autor descreve a realidade escolar. Quando escreve que “as direções e coordenações pedagógicas sacrificam a qualidade do ensino e a valorização dos bons alunos pela possibilidade de salvar os delinquentes” (p.55), ele provoca um debate necessário. Concorde-se ou não com sua conclusão, é impossível permanecer indiferente. O livro convida à reflexão, e a boa literatura faz exatamente isso.

Mas Café com Caxiri não se resume à crítica social. É também um livro de memórias, de perdas, de pertencimento e de identidade. Há passagens de grande beleza, como no desfecho, quando o narrador reconhece sua fragilidade, mas continua caminhando: “Ergo-me devagar, tento me equilibrar e sigo cambaleante, mas vivo, em pé, e assim continuo a caminhar” (p.222). Talvez essa seja uma das mais belas definições da própria vida.

Terminei a leitura com a sensação de que conhecia melhor o autor, mas também conhecia um pouco mais de mim mesmo. E esse é um dos maiores méritos da literatura: fazer com que a história de outro ilumine a nossa.

Recomendo Café com Caxiri a todos que apreciam uma narrativa humana, reflexiva e escrita com autenticidade. Foi uma excelente surpresa que o acaso colocou novamente em minhas mãos. Às vezes, os melhores livros não são aqueles que procuramos, mas aqueles que, silenciosamente, nos encontram.

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