Siga nossas redes

Meio Ambiente

O biólogo, a Amazônia e a Catástrofe Climática

Professor Welton Oda critica a falta de políticas ambientais efetivas no Amazonas e defende maior participação de biólogos e especialistas para enfrentar problemas como poluição, queimadas, desmatamento e mudanças climáticas

O biólogo, a Amazônia e a Catástrofe Climática

A poluição dos igarapés, as queimadas, o desmatamento e a falta de uma política eficiente de resíduos sólidos mostram que os problemas ambientais do Amazonas estão longe de ser resolvidos.

A Amazônia é linda, isso não se discute! Mas… graças a um descuido sistemático de seus administradores com questões como a poluição de igarapés urbanos, queimadas, desmatamento e gestão de resíduos sólidos, também tem suas feiuras! Uma grande capital como Manaus, por exemplo, só tem um único igarapé limpo: o Igarapé da Água Branca. Os demais estão nojentos, muito nojentos.

E o que fez o prefeito David Almeida a respeito? Numa política anticientífica e populista, limitou-se a instalar ecobarreiras, mesmo sabendo que o buraco é mais embaixo. Despoluir os igarapés demanda muito mais do que algumas ecobarreiras; demanda controlar e/ou tratar, sobretudo, o cocô dos manauaras, lançado às toneladas nos igarapés urbanos, bem como as águas servidas de torneiras, chuveiros e pias, cheias de detergente, sabão em pó, amaciante, água sanitária e outros produtos químicos. Assim, não há camarão ou peixe que resista!

Também não adianta fazer esses plantios amadores de milhares de árvores, sem o acompanhamento técnico, sem preparar a terra, plantando no barro esturricado, sem rega, em plena estiagem, sem dispor de um biólogo, de um agrônomo, de um engenheiro florestal, enfim, alguém que evite o desperdício de milhares de mudas compradas com dinheiro público, mas mortas por falta de competência administrativa.

Quanto aos resíduos sólidos, o Amazonas não dispõe de uma política séria em relação à questão; sobra amadorismo. O resultado? Toneladas de lixo espalhadas pela cidade, lixões em quase todas as cidades amazonenses, prefeituras como Iranduba e Manacapuru recorrendo ao fogo para reduzir as montanhas de resíduos sólidos e levando multas que comprometem boa parte da receita da cidade. As maiores cidades do Amazonas estão cobertas de lixo espalhado pelas ruas e outros logradouros públicos. A população naturalizou a presença desse cenário de sujeira.

O Amazonas tem uma quantidade incrível de biólogos atuando em diversos setores, como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia — muitos deles aclamados internacionalmente —, a Universidade Federal do Amazonas, a Universidade do Estado do Amazonas, o Instituto Federal de Ciência e Tecnologia, a Embrapa, além de ONGs nacionais e internacionais espalhadas pela Amazônia, com destaque para o Greenpeace e o World Wildlife Fund (WWF). Há pesquisas sensacionais envolvendo biocombustíveis, bactérias devoradoras de plástico, melhoramento de plantas de interesse comercial, piscicultura, produção de alimentos etc. O planeta tem outra infindável leva de biólogos criativos, produzindo alternativas para adiar o fim do mundo.

Os administradores públicos pouco se importam com isso. O resultado? O amazonense sofre com os momentos mais quentes de sua história, plantas morrem, parte da floresta morre, savaniza-se, rios, em breve, estarão secos, peixes, botos, camarões e outras espécies morrerão também, assim como morrem preguiças de calor na floresta.

Queremos reverter esse quadro? Queremos evitar essa tragédia, que é global? Vamos conseguir adiar o fim do mundo? Se é isso o que queremos, consultemos biólogas e biólogos. Eles saberão consertar o mundo!

Leia mais:

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 × quatro =

Mais em Meio Ambiente