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Meio Ambiente

AMAZONAS É O PIOR DA AMAZÔNIA LEGAL: estado tem menor índice de desenvolvimento sustentável da região, aponta levantamento

Enquanto Manaus lidera com 66,68 pontos, São Gabriel da Cachoeira amarga última posição; desigualdades internas e falta de infraestrutura são os principais gargalos

AMAZONAS É O PIOR DA AMAZÔNIA LEGAL: estado tem menor índice de desenvolvimento sustentável da região, aponta levantamento

Manaus - AM Fotos: Canva

Manaus (AM) – O Amazonas apresentou o menor desempenho entre os estados da Amazônia Legal no Índice Geral dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (iODS). O resultado foi divulgado na sexta-feira (5) pelo projeto Atlas ODS Amazônia, que analisou 772 municípios da região.

De acordo com o levantamento, o estado enfrenta desafios relacionados à redução das desigualdades, à ampliação do acesso a serviços públicos e à melhoria da infraestrutura — pontos que comprometem o cumprimento das metas da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Números preocupantes

O Amazonas registrou média de 51,5 pontos no índice, ficando abaixo da média geral da Amazônia Legal, que alcançou 55,5 pontos. A classificação estadual foi calculada a partir da mediana dos índices municipais de cada estado, metodologia utilizada para retratar de forma mais fiel a realidade local e evitar distorções provocadas por resultados isolados.

Abismo entre capital e interior

Apesar de contar com Manaus entre os municípios mais bem avaliados da região, o estado apresenta grandes diferenças internas. A capital lidera o ranking amazonense, com 66,68 pontos, enquanto São Gabriel da Cachoeira ocupa a última posição entre os 62 municípios avaliados, com apenas 43,83 pontos.

Municípios com melhor desempenho no Amazonas:

  • Manaus – 66,68

  • Itacoatiara – 57,14

  • Tefé – 56,72

  • Presidente Figueiredo – 56,24

  • Parintins – 55,90

Municípios com pior desempenho:

  • Itamarati – 46,37

  • Juruá – 44,93

  • Maraã – 43,97

  • Pauini – 43,96

  • São Gabriel da Cachoeira – 43,83

O que diz o especialista

Segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira, os resultados refletem a forte concentração populacional e econômica em Manaus e as dificuldades históricas enfrentadas pelos municípios do interior.

“A capital concentra a maior parte da população, da atividade econômica, da arrecadação pública e da geração do Produto Interno Bruto do estado. Já grande parte dos municípios amazonenses ainda enfrenta limitações relacionadas à infraestrutura, conectividade, educação, saúde, saneamento e oportunidades econômicas”, afirmou.

Pereira destacou que o principal desafio não está no desempenho de Manaus, mas na distância existente entre a realidade da capital e a dos demais municípios. Para ele, o cenário evidencia a necessidade de ampliar a integração territorial e reduzir desigualdades regionais.

Regiões mais críticas

A situação é mais evidente em áreas remotas do estado, como as regiões do Médio e Alto Juruá, Alto Solimões e Alto Rio Negro. Nesses locais, fatores como grandes distâncias geográficas, elevados custos logísticos e baixa oferta de infraestrutura básica dificultam avanços mais rápidos nos indicadores sociais, econômicos e ambientais.

Os maiores desafios do Amazonas

O levantamento identificou que os piores desempenhos do estado estão relacionados aos seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável:

  • ODS 1 – Erradicação da pobreza

  • ODS 2 – Fome zero e agricultura sustentável

  • ODS 9 – Indústria, inovação e infraestrutura

Os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades e à ampliação do acesso da população do interior a serviços e oportunidades de desenvolvimento.

Plataforma Digital Atlas ODS Amazônia

Junto com o diagnóstico, o projeto lançou a Plataforma Digital Atlas ODS Amazônia, uma ferramenta que reúne 109 indicadores dos 772 municípios da Amazônia Legal. O objetivo é permitir que gestores públicos, pesquisadores, jornalistas e a sociedade acompanhem o avanço das metas de desenvolvimento sustentável e identifiquem prioridades para a formulação de políticas públicas.

A iniciativa busca fortalecer a governança local por meio da ampliação do acesso à informação e da transparência pública. A meta da ONU é que os 18 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sejam alcançados até 2030.

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