
Delegado João Tayah candidato a deputado federal pelo Amazonas também defendeu educação pública, políticas de prevenção à violência, proteção da Zona Franca e novas estratégias de segurança para a Amazônia - Foto: Norte em Foco
Em entrevista ao Conexão Política, do Norte em Foco, o candidato a deputado federal pelo Amazonas João Victor Tayah Lima, o Delegado Tayah, apresentou sua visão sobre temas que considera centrais para o futuro do Estado, entre eles segurança pública, educação, preservação da Amazônia, Zona Franca de Manaus, polarização política e políticas sociais.
Ao abordar o cenário político nacional, Tayah fez críticas ao que considera uma radicalização do debate entre grupos políticos. Em uma de suas declarações, classificou parte dos apoiadores de Jair Bolsonaro como “bolsonaristas satanistas” e afirmou que, na avaliação dele, determinados discursos associados a tortura, golpe e violência estariam distantes dos valores cristãos que esses grupos dizem defender.
O candidato também falou sobre a trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e apresentou sua interpretação sobre o processo que levou à prisão do petista e, posteriormente, ao retorno dele à Presidência da República. Tayah defendeu ainda a ideia de combate à corrupção independentemente de partido ou grupo político.
Zona Franca e desenvolvimento da Amazônia
A Zona Franca de Manaus também esteve entre os assuntos abordados durante a entrevista. Tayah argumentou que medidas que possam enfraquecer o modelo econômico amazônico não teriam impacto apenas sobre a atividade industrial, mas também sobre outros setores da economia regional.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a manutenção de uma economia estruturada na região é importante para conciliar desenvolvimento, geração de empregos e preservação ambiental.
Segurança pública além da “linha dura”
Como delegado de polícia, Tayah dedicou parte significativa da entrevista à segurança pública. Ele criticou o que chamou de política de “linha dura” baseada exclusivamente na repressão e defendeu uma atuação preventiva integrada a outras áreas do poder público.
Segundo a proposta apresentada por ele, educação, assistência social, moradia, cultura, lazer e esporte devem fazer parte das estratégias de prevenção à criminalidade.
Tayah também defendeu maior integração entre forças de segurança, escolas e unidades de saúde. Em sua visão, patrulhamento e presença policial em escolas e hospitais poderiam funcionar como instrumentos de proteção e aproximação com a população, em vez de representar apenas uma resposta posterior à ocorrência de crimes.
“Se matar resolvesse, o Brasil seria o mais seguro do mundo”
Ao discutir políticas de encarceramento e violência, Tayah questionou a ideia de que o aumento da punição, isoladamente, seria suficiente para reduzir a criminalidade.
O candidato apresentou a proposta de uma política de reinserção social para pessoas que desejam abandonar a criminalidade. Entre as ideias mencionadas está a chamada “Bolsa Recomeço”, com apoio psicológico, capacitação profissional e preparação para o ingresso no mercado de trabalho.
A proposta, segundo Tayah, teria como objetivo oferecer uma alternativa concreta para pessoas que desejam deixar a vida criminosa.
Educação pública como instrumento de transformação
Outro eixo central da entrevista foi a educação. Tayah relatou aspectos de sua própria trajetória e destacou a importância da educação pública em sua formação.
Ao recordar os períodos em que enfrentava dificuldades financeiras e utilizava transporte coletivo para estudar, afirmou que a educação pública contribuiu para transformar sua realidade e abrir caminhos profissionais.
A experiência foi apresentada pelo candidato como exemplo de como instituições públicas de ensino podem ampliar oportunidades para jovens de famílias de baixa renda.
Fé, política e direitos sociais
Tayah também abordou a relação entre cristianismo e política. Ao responder se um cristão pode ser de esquerda, defendeu que valores como solidariedade e defesa dos mais vulneráveis são compatíveis, segundo sua interpretação, com os ensinamentos de Jesus.
O candidato afirmou ainda que a defesa dos direitos dos trabalhadores não deve ser automaticamente associada ao comunismo e argumentou que a atuação política pode ser orientada pela proteção social e pela redução das desigualdades.
Amazônia e segurança na floresta
A segurança na Amazônia foi outro ponto de destaque. Tayah apresentou a necessidade de fortalecer a atuação do Estado diante de crimes ambientais, mineração ilegal, desmatamento e atuação de organizações criminosas em áreas da floresta.
Entre as ideias apresentadas está um “Plano Amazônia”, com propostas voltadas à segurança pública na região, incluindo a criação ou fortalecimento de estruturas especializadas para atuação em áreas florestais e treinamento específico para operações na selva.
O candidato também comentou a relação entre segurança, proteção ambiental e combate ao tráfico de drogas.
Críticas à política de segurança e às condições dos policiais
Durante a conversa, Tayah também chamou atenção para as condições enfrentadas por policiais e demais servidores da segurança pública. Segundo ele, a percepção de que policiais são profissionais “ricos” não corresponde à realidade de muitos integrantes da categoria, que enfrentariam despesas e dificuldades financeiras apesar de receberem salários considerados razoáveis.
Ele também questionou um modelo social que, em sua avaliação, estimula determinados profissionais a exercer funções violentas e posteriormente os responsabiliza ou abandona quando surgem as consequências desse processo.
Saúde e desafios do interior do Amazonas
Além da segurança, o candidato citou problemas relacionados à saúde pública no Amazonas, com destaque para hospitais e obras que, segundo ele, permanecem sem conclusão e para as dificuldades enfrentadas pela população do interior.
A situação da infraestrutura pública foi apresentada como parte de um conjunto de desafios que precisam ser enfrentados de forma integrada pelo poder público.
Uma trajetória marcada por mobilização social
Tayah também contou episódios de sua juventude e de sua trajetória pessoal. Entre as histórias mencionadas está um episódio ocorrido quando tinha 15 anos, quando participou de uma mobilização em defesa de reivindicações da população e chegou a invadir uma prefeitura.
Ao relembrar sua trajetória, o candidato relacionou as experiências pessoais, a formação profissional e a atuação na área de segurança pública à defesa de políticas voltadas para oportunidades sociais e melhoria das condições de vida das famílias.
A entrevista também abordou o papel de professores, pesquisadores e profissionais do Direito na compreensão dos problemas sociais e na formulação de soluções para as instituições públicas.
Ao longo da conversa, João Tayah apresentou diferentes propostas e posicionamentos sobre segurança, educação, Amazônia, economia e política nacional, colocando a prevenção da violência, a educação pública e a proteção da região amazônica entre os principais temas de sua atuação política.
Leia mais:









