
Prefeito de Manaus, David Almeida - Fotos: Semcom
Manaus, AM – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), assinou nesta quinta-feira (27) a ordem de serviço para a construção do complexo viário “Passarão”, uma obra de R$ 80,3 milhões que deve conectar as avenidas Coronel Teixeira e avenida Brasil. O evento de lançamento se transformou em um palco de defesas inflamadas sobre a gestão municipal, mas levantamento aponta contradição sobre obras, transparência e gastos públicos na gestão municipal.
Notícias e denúncias recentes mostram que a história não é tão linear quanto a inspiração do prefeito Davdi Almeida durante discurso e que essas obras vêm carregadas de irregularidades, atrasos, polêmicas e críticas da população e órgãos de controle. As falas do prefeito e do vice, Renato Júnior, destacaram recordes de entregas e economia em licitações, mas esbarraram em polêmicas que marcaram o mandato.
O vice-prefeito e Secretario Municipal de Infraestrutura de Manaus (Seminf), Renato Júnior afirmou que a gestão de David fez história ao entregar três viadutos em apenas dois anos e nove meses, o Viaduto José Fernandes (Torres), Viaduto Márcio Souza (Rio Preto/Torres) e o Viaduto Rei Pelé (Bola do Produtor).
“Com esse feito, o prefeito Davi entra para a história como o primeiro prefeito que no curto tempo de espaço, em dois anos e nove meses, entregou pela primeira vez na história três viadutos”, disse Renato Júnior.
No entanto, a construção desses viadutos foi marcada por polêmicas.
“O viaduto, lá da Bola do Produtor, que nós contratamos para 18 meses, também entregamos em 12 meses, 11 meses e meio”, disse David.
No entanto, a obra na Bola do Produtor conhecida como “Viaduto da Morte” tem histórico de acidentes fatais no local. A conclusão da obra do complexo viário Rei Pelé, no valor de R$ 82,8 milhões, foi adiada por três vez pela Prefeitura de Manaus e os condutores enfrentavam dificuldades na mobilidade urbana. A construção foi iniciada oficialmente em 3 de janeiro de 2023 e entregue ao público em 25 de junho de 2025.
Sobre o viaduto Márcio Souza (Rio Preto), o prefeito afirmou que este foi o “viaduto mais rápido construído e entregue na cidade de Manaus, do norte do Brasil,” sendo entregue em menos de 6 meses, embora contratado para 18. A grande polêmica envolvendo os viadutos em 2022 e 2023 foi a suspeita de sobrepreço e falta de transparência nas licitações. Em 2022, o D24AM e outros veículos de comunicação noticiaram questionamentos do Ministério Público de Contas (MPC) sobre os valores contratados para o Complexo Viário Professora Isabel Victoria, que englobava o Viaduto Márcio Souza e outras obras, sugerindo a necessidade de revisão de preços e maior detalhamento nas planilhas.
David Almeida também relembrou o cenário supostamente caótico em que assumiu a Prefeitura em 2021 e descreveu a luta para dar sepultamento digno às vítimas, mas esqueceu que foi alvo de críticas ao ‘furar fila’ na vacinação contra a Covid-19.
“A cidade do mundo que mais sofreu com a pandemia. Eu lembro que eu entrava nas câmaras frigoríficas com 30 corpos que nós não conseguíamos sepultar em um dia. Sepultávamos 180, 200 pessoas no mesmo local. Nós assumimos a prefeitura em meio ao caos.”
No entanto, a gestão de David Almeida foi alvo de críticas severas. Reportagens da época, amplamente divulgadas incluindo a imprensa nacional, apontaram a falta de estrutura de saúde e, principalmente, a denúncia de “fura-fila” na vacinação contra a Covid-19, onde o prefeito e sua família teriam recebido doses antes de grupos prioritários definidos.
O prefeito defendeu que sua gestão é a que “mais asfaltou ruas, mais recapeou ruas” e que “construiu 380 escolas.”
Asfaltômetro e buracos
O “Asfaltômetro”, ferramenta digital criada pela própria prefeitura para medir e dar transparência aos dados de ruas asfaltadas (o programa Asfalta Manaus), foi retirado da página oficial da prefeitura. A suspensão da ferramenta, levantou questionamentos sobre a transparência dos dados divulgados sobre a extensão real das obras de pavimentação.
Além disso, a crítica constante dos motoristas de Manaus sobre a má qualidade de ruas e o excesso de buracos continua sendo um dos principais pontos de controvérsia que contradiz a afirmação de ser a gestão que mais investiu em recapeamento.
Em meio à polêmica envolvendo a instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) e Câmara Municipal de Manaus (CMM) para apurar gastos e os serviços de asfaltamento das ruas de Manaus, a gestão David Almeida continuou com os cofres públicos abertos e o dinheiro gasto com asfalto só aumentou. Somente no mês de agosto deste ano, a Seminf assinou três aditivos contratuais com diferentes empresas, de mais de R$ 78 milhões.
David defendeu a gestão técnica, citando a redução de contratos indenizatórios e a realização de 1.436 licitações, que resultaram em uma economia de R$ 2,5 bilhões.
“Você não vê ninguém contestar uma licitação, você não vê ninguém contestar um contrato. Você não vê ninguém denunciando algo de irregular na saúde, na educação, na infraestrutura,” alegou o prefeito.
Denúncias e Falta de Transparência
Embora o prefeito defenda a limpeza dos processos, a gestão foi constantemente confrontada com suspeitas em grandes contratos, como o de iluminação pública e, principalmente, as denúncias de suposto favorecimento familiar. O portal noticiou a controvérsia envolvendo Izabelle Fontenelle, esposa do prefeito, e sua mãe Lidiane Oliveira Fontenelle. Foram levantados questionamentos sobre a participação da mãe da primeira-dama em contratos de aluguel de veículos com a prefeitura, e a própria atuação de Izabelle na gestão, levantando suspeitas sobre conflito de interesses.
A Câmara Municipal de Manaus (CMM) iniciou em setembro de 2024, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a ‘CPI dos Contratos’ para investigar pagamentos feitos por empresas que têm contratos na gestão de David Almeida (Avante) a familiares do prefeito. Quatro pessoas da família de Almeida estavam nas investigações, Izabelle Fontenelle de Queiroz (noiva), Lidiane Oliveira Fontenelle (sogra), Gabriel Alexandre da Silva (genro) e Dulce Almeida (irmã).
O prefeito também ironizou a oposição por focar em questões menores, como “o tênis que eu uso” e a crítica à Roda-Gigante na Ponta Negra, afirmando que quer elevar o nível de Manaus a patamares internacionais.
Roda-gigante pública ou privada?
A crítica à Roda-Gigante, uma estrutura temporária para o Natal não se resumiu apenas a “questões menores” citada pelo prefeito. A principal polêmica, noticiada pela imprensa local, foi a falta de transparência nos custos de instalação e contratação da atração. Houve questionamentos sobre o processo licitatório ou a dispensa de licitação para a contratação da empresa responsável pelo brinquedo, reforçando a crítica de que a gestão prioriza o espetáculo em detrimento da clareza nos gastos.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) abriu Processo nº 18301/2025 para apurar possíveis irregularidades na autorização e exploração comercial da roda-gigante. A representação foi apresentada pelo vereador Rodrigo Guedes, que aponta falta de transparência, ausência de licitação e risco ao patrimônio público.
A investigação destaca que a empresa responsável pelo equipamento, J. P. Diversos Ltda (Wheel Manaus), foi formalmente constituída apenas dois dias antes de receber a concessão para explorar economicamente a roda-gigante. À época, a montagem já estava em andamento, indicando que a empresa beneficiada só surgiu juridicamente depois de iniciado o processo de instalação.
A representação aponta que a empresa não possui histórico técnico, operacional ou financeiro que justifique a operação de um equipamento de grande porte e alto risco, o que poderia violar princípios como impessoalidade, moralidade e segurança administrativa.
Fonte: D24am
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