
O presidente da escola de samba A Grande Família, Cleido Barroso
O presidente da escola de samba A Grande Família, Cleildo Barroso, de 34 anos, conhecido como “Caçula”, foi preso nesta quinta-feira (5) dentro da sede da agremiação, no bairro São José, Zona Leste de Manaus. A prisão foi efetuada por policiais da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), sob as acusações de descumprimento de medida protetiva de urgência, violência psicológica e perseguição contra sua ex-esposa. Esta é a segunda vez que ele é detido pelas mesmas acusações desde janeiro, quando foi liberado após pagar fiança.
De acordo com a delegada Patrícia Leão, titular da DECCM, o suspeito persistiu nas condutas criminosas mesmo após a primeira detenção. “Mesmo após a soltura, a vítima passou a ser perseguida por ele nas proximidades de sua residência, além de receber mensagens e ligações por intermédio de terceiros, a mando do autor, com o intuito de intimidá-la”, afirmou a delegada.
A polícia destacou ainda que Barroso, valendo-se da posição de presidente da escola de samba, afastou a vítima da agremiação – da qual ela também fazia parte como passista – como forma de represália. Diante da continuidade das ameaças, a vítima retornou à delegacia e foi solicitada a prisão preventiva. Mandados de busca e apreensão também foram expedidos, pois havia informações de que ele possuía uma arma de fogo. As medidas foram deferidas pela Justiça.
VÍDEO mostra momento da prisão
Imagens obtidas pela Polícia Civil mostram o momento em que Cleildo Barroso é conduzido, sem reação, por agentes policiais dentro da quadra da escola de samba. O suspeito responderá pelos crimes de violência doméstica, violência psicológica e perseguição. Ele passará por audiência de custódia e ficará à disposição da Justiça.
Presidente de escola de samba é preso suspeito de agredir ex-esposa em Manaus pic.twitter.com/hGvICppyHI
— Norte Em Foco (@norteemfoco) February 6, 2026
Relato detalhado da vítima nas redes sociais
A ex-companheira e passista Marryeth Figueiredo, de 29 anos, utilizou suas redes sociais para denunciar as agressões. Segundo seu relato, as violências foram motivadas por ciúmes após o suspeito encontrar mensagens antigas em seu celular. Ela detalhou que levou tapas dentro de um carro e, depois, na casa do ex-marido, foi derrubada no chão e ameaçada de morte.
“Fui ameaçada com uma faca e consegui escapar ao pedir ajuda. Vizinhos ouviram os gritos e chamaram a Polícia Militar”, contou Marryeth. Após ser liberada, ela divulgou vídeos e mensagens sobre o caso e afirmou que Cleildo teria histórico de agressões contra outras mulheres.
Posicionamentos das Partes
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Defesa da Vítima (em janeiro): Considerou a soltura inicial inadequada e informou que iria solicitar ao MP-AM medidas protetivas de urgência e a prisão preventiva do investigado.
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Defesa do Acusado (em janeiro): Afirmou, por ocasião da primeira detenção, que o caso deveria ser tratado com discrição por ser uma “situação de natureza íntima e pessoal”, sem relação com o cargo que ele ocupa na escola de samba. Declarou que todas as medidas legais estavam sendo adotadas e que não se manifestaria publicamente novamente.
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Escola de Samba A Grande Família: Emitiu nota afirmando não possuir qualquer relação com os fatos envolvendo o presidente e que a responsabilidade por atos individuais não pode ser atribuída à entidade. A agremiação reafirmou seu compromisso com o respeito, a cultura e a dignidade da comunidade.
O caso reacende o debate sobre violência doméstica e a influência de posições de poder em contextos de agressão, demonstrando a persistência e a escalada da violência mesmo após intervenção policial inicial.
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