
Cristiano Ronaldo - Foto: Youtube, Inteligência Artificial , FIFA
Em uma noite que ficará gravada na memória dos torcedores portugueses, Cristiano Ronaldo finalmente desbloqueou um feito que lhe escapava em cinco edições anteriores de Copa do Mundo: marcar um gol em fase eliminatória. Aos 41 anos, o capitão português converteu pênalti aos 23 minutos do segundo tempo e iniciou a virada por 2 a 1 sobre a Croácia, nesta quinta-feira (2), no BMO Field, em Toronto, pelas 16-avos de final do Mundial.
O gol da classificação, no entanto, veio nos acréscimos. Aos 49 minutos da etapa final, Rafael Leão levantou na área e Gonçalo Ramos, que havia entrado no segundo tempo, subiu mais alto que a defesa croata para cabecear e selar a histórica virada portuguesa.
Com o resultado, Portugal enfrentará a Espanha nas oitavas de final, em um autêntico Clássico Ibérico marcado para 6 de julho, em Dallas. O duelo revive a memória do empate épico por 3 a 3 entre as duas seleções na fase de grupos da Copa de 2018, quando Cristiano Ronaldo marcou três gols.
Duelo de veteranos e simbolismo em Toronto
O confronto em solo canadense foi palco de um duelo particular entre dois gigantes do futebol mundial e ex-companheiros de Real Madrid: Cristiano Ronaldo e Luka Modric. Ambos disputam o que pode ser sua última Copa do Mundo, e cada um carregava o peso de conduzir suas seleções adiante.
“Foram anos incríveis juntos no Madrid, mas hoje cada um defende seu país. É especial dividir o campo com ele neste momento da carreira”, declarou Modric após a partida.
Os dois capitães, que juntos conquistaram quatro edições da Liga dos Campeões da UEFA entre 2012 e 2018, protagonizaram um confronto histórico: foi a primeira vez na história das Copas que dois jogadores com mais de 40 anos (Ronaldo com 41 anos e 147 dias; Modric com 40 anos e 296 dias) atuaram em uma mesma partida do torneio.
Primeiro tempo de estudo e chances desperdiçadas
O início de jogo foi de estudo. As primeiras grandes oportunidades vieram dos pés de outros protagonistas. Aos 12 minutos, Rafael Leão chegou à linha de fundo e cruzou rasteiro para Bruno Fernandes, que finalizou para a defesa de Dominik Livakovic. Do outro lado, Ante Budimir cabeceou para fora em jogada aérea.
João Cancelo tentou comandar as ações ofensivas portuguesas aos 30 minutos, com um cruzamento de canhota pela direita, mas a bola passou por Cristiano Ronaldo e Bruno Fernandes sem que nenhum conseguisse desviar.
O placar permaneceu inalterado no primeiro tempo, mas a tensão já era palpável no estádio que recebeu torcedores das duas nações.
Croácia abre placar, Portugal reage com “não-gols”
A etapa final começou eletrizante. Aos três minutos, Mateo Kovacic exigiu defesa com os pés de Diogo Costa. Cinco minutos depois, veio o gol croata: Josip Stanisic cruzou, Igor Matanovic desviou e Ivan Perisic apareceu para empurrar para as redes, abrindo o placar.
“Sabíamos que a Croácia é perigosa nas transições. Tomamos o gol, mas mantivemos a calma”, disse o técnico Roberto Martínez em entrevista coletiva.
A Croácia ainda balançou as redes novamente com Matanovic, mas Nikola Vlasic estava impedido e o gol foi anulado. O que se seguiu foi uma verdadeira chuva de “não-gols” que deixou os torcedores à beira do ataque cardíaco.
Aos 13 minutos, Rafael Leão roubou a bola no campo de ataque, cortou para o meio e chutou forte, carimbando o travessão. Em seguida, em contra-ataque rápido, Petar Sucic finalizou com força e exigiu outra defesa espetacular de Diogo Costa.
Aos 16 minutos, a torcida portuguesa explodiu: Cristiano Ronaldo finalizou na saída de Livakovic e balançou as redes, mas o bandeirinha já assinalava impedimento no momento do lançamento de Cancelo. O golaço foi anulado, e a frustração estampada no rosto do capitão foi capturada por todas as câmeras.
O gol que faltava e a virada nos acréscimos
O grito de gol que Cristiano Ronaldo tanto buscava veio aos 23 minutos. Renato Veiga sofreu pênalti cometido por Vlasic, e o camisa 7 não tremeu: bateu no meio do gol e converteu, igualando o placar e marcando seu primeiro gol em mata-matas de Copa do Mundo — o 11º de sua história no torneio.
“É um momento especial. Eu já tinha marcado em todas as fases, menos essa. Deus guardou esse momento para agora”, declarou Ronaldo emocionado após a partida.
O empate deu novo ânimo aos portugueses, mas a Croácia não se entregou. Aos 30 minutos, Diogo Costa salvou Portugal com duas defesas seguidas: primeiro em um chute de Kovacic que ainda carimbou a trave e, no rebote, em um voleio do mesmo jogador. O goleiro português, que já havia feito defesas importantes, manteve o time vivo na partida.
Sucic chegou a balançar as redes aos 35, mas o lance foi anulado por impedimento. O jogo ganhou 10 minutos de acréscimos — tempo mais que suficiente para a estrela de Roberto Martínez brilhar.
O treinador português manteve Rafael Leão em campo e havia colocado Gonçalo Ramos ainda no segundo tempo. A aposta deu resultado: aos 49 minutos, Leão levantou na área, e Gonçalo Ramos saltou mais alto que os defensores croatas para cabecear no canto e selar a virada histórica.
A Croácia ainda tentou reagir e viu um gol de Pasalic ser anulado por impedimento nos instantes finais, confirmando a classificação portuguesa.
Recordes e números históricos
A partida em Toronto entrou para os livros da história da Copa do Mundo por diversos motivos:
Cristiano Ronaldo disputou seu 26º jogo por Portugal em Copas, ocupando isoladamente o segundo lugar no ranking histórico, atrás apenas de Lionel Messi (29 partidas). Seu gol de pênalti foi o primeiro em fases eliminatórias do torneio.
Gonçalo Ramos alcançou a marca de quatro gols por Portugal em Copas do Mundo, ficando atrás apenas de Cristiano Ronaldo (11) e Eusébio (9) na artilharia histórica da seleção.
Luka Modric disputou seu 23º jogo consecutivo pela Croácia em Copas do Mundo, igualando Paolo Maldini e Manuel Neuer no ranking geral de jogadores com mais partidas no torneio — agora na quinta posição.
Ivan Perisic se tornou o croata mais velho a marcar em uma Copa do Mundo, aos 37 anos e 150 dias, superando o recorde de Ante Budimir (34 anos e 336 dias) estabelecido nesta mesma edição contra o Panamá.
O que vem por aí: Clássico Ibérico em Dallas
Portugal agora se prepara para enfrentar a Espanha nas oitavas de final, em duelo que promete parar o mundo do futebol. O confronto está marcado para 6 de julho, no AT&T Stadium, em Dallas, e reavivará a rivalidade ibérica em seu mais alto nível.
“Será um jogo duríssimo, contra uma grande seleção. Mas mostramos hoje que temos coração e qualidade para superar qualquer adversário”, afirmou Gonçalo Ramos, herói da classificação.
A Espanha, que vem de campanha sólida na fase de grupos, terá pela frente um adversário embalado pela virada heroica e por um Cristiano Ronaldo que finalmente desbloqueou o gol que faltava em sua extraordinária trajetória em Copas do Mundo.
Com informações da FIFA
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