
Neste ano, o Caprichoso levou para a arena o tema "Brinquedo que Canta seu Chão" - Foto: Youtube, Canva
Parintins, AM – O Boi-Bumbá Caprichoso é o grande campeão do 59º Festival Folclórico de Parintins. Em uma disputa emocionante que mobilizou a ilha durante três noites de apresentações, o boi azul e branco conquistou o 27º título de sua história ao defender o tema “Brinquedo que Canta seu Chão”. O resultado foi anunciado na tarde desta segunda-feira (29), durante a apuração realizada no Bumbódromo, em Parintins.
A vitória veio com uma campanha de recuperação impressionante: após empatar na primeira noite, o Caprichoso venceu as duas noites seguintes e somou 1.259,0 pontos contra 1.258,3 do Garantido, uma diferença de apenas 0,7 ponto. Foram avaliados 21 itens, incluindo apresentador, cunhã-poranga, alegorias, ritual indígena e evolução.
Uma campanha de superação
O 59º Festival, realizado entre os dias 26 e 28 de junho, reuniu milhares de torcedores na ilha e foi marcado por apresentações que combinaram música, dança, alegorias grandiosas, lendas amazônicas e referências às culturas indígena e afro-brasileira. O Caprichoso construiu sua vitória com um projeto artístico consistente, que evoluiu a cada noite e conquistou os jurados pela profundidade narrativa e excelência técnica.
Ao sair do Bumbódromo após o anúncio do resultado, o presidente do Caprichoso, Rossy Amoêdo, celebrou o título com a emoção estampada no rosto.
“A gente vai curtir o festival, aproveitar o festival. Hoje é um dia de festa, é um dia de coisas boas, é um dia de vitória. Vamos pra cima”, declarou o dirigente, abraçado por torcedores e brincadores.
Primeira noite: “Parintins – O Chão de Origem”
Primeiro a entrar na arena na noite de abertura, o Caprichoso apresentou o espetáculo “Parintins – O Chão de Origem”, que destacou a história da ilha, os povos originários e a formação da identidade cultural parintinense.
O bumbá homenageou os brincadores de boi e reforçou a importância das manifestações populares que ajudaram a construir a identidade cultural da cidade. A cunhã-poranga Marciele Albuquerque, que surgiu da alegoria “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”, a sinhazinha da fazenda Valentina Cid e a rainha do folclore Cleise Simas foram os destaques individuais da noite.

Boi Caprichoso no meio da galera azulada na 2ª noite do Festival de Parintins — Foto: Tiago Corrêa/Secom
Segunda noite: Amazônia sagrada e ancestral
No sábado (27), o espetáculo do Caprichoso destacou a Amazônia como território sagrado e ancestral. Encantados, povos indígenas e manifestações culturais que mantêm viva a identidade da floresta ganharam espaço na arena.
A apresentação iniciou com a lenda amazônica “Curupira – O Guardião da Vida”, inspirada em um dos personagens mais conhecidos do imaginário amazônico. A alegoria mostrou o Curupira como protetor da floresta, dos animais e dos caminhos da mata, símbolo da resistência diante das ameaças ao território.
Em seguida, o Caprichoso trouxe a figura típica regional “Os Pescadores e Pescadoras da Amazônia”, homenageando quem vive dos rios e mantém tradições passadas de geração em geração. A noite foi encerrada com o Ritual de Transcendência Asurini – Maraká, inspirado na cosmologia do povo Asurini do Xingu, que retratou a espiritualidade indígena e a conexão entre o mundo material e o dos encantados.
Terceira noite: apoteose e consagração
Na noite decisiva de domingo (28), o Caprichoso abriu o espetáculo surgindo dos céus ao lado do levantador Patrick Araújo. O primeiro quadro foi a lenda amazônica “Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente”, de onde surgiu a cunhã-poranga Marciele Albuquerque, que evoluiu ao som de “Deusa das Lutas”.
A rainha do folclore Cleise Simas encantou o público ao evoluir representando o Carimbó. Em seguida, a figura típica regional “As Farinheiras da Amazônia” revelou a porta-estandarte Marcela Marialva, que evoluiu ao som de “Deusa da Constelação”.
A terceira alegoria apresentou a exaltação cultural “O Auto do Boi Brasileiro”, conduzida pelo amo Caetano Medeiros. A alegoria revelou o boi Caprichoso e a sinhazinha Valentina Cid, que emocionou o público ao tocar violino durante a toada “Leveza de Sinhá”. Patrick Araújo ainda homenageou o compositor Chico da Silva com a toada “Meu Amor é Caprichoso”.
Fechando a apresentação com chave de ouro, o Caprichoso levou à arena o Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin. Da alegoria surgiu o pajé Erick Beltrão, que encerrou o espetáculo ao som de “Mothokari”, em um momento de forte carga espiritual que emocionou a plateia e consolidou o favoritismo do boi azul.
Garantido faz grande campanha e promete voltar mais forte
O Boi-Bumbá Garantido, que também apresentou espetáculos de altíssimo nível durante as três noites, amargou o vice-campeonato por uma diferença mínima. O boi vermelho, que entrou na disputa com o tema “Parintins: Portal do Encantamento”, exaltou a ancestralidade, a diversidade cultural e a espiritualidade dos povos amazônicos, com destaque para a estreia da sinhazinha Raíra Lins e as atuações da cunhã-poranga Isabelle Nogueira e da rainha do folclore Lívia Cristina.
A torcida do Garantido, apesar da derrota, saiu do Bumbódromo de cabeça erguida, reconhecendo a grandeza da disputa e prometendo voltar ainda mais forte em 2027.
Caprichoso: 27 títulos e uma história de glórias
Com o título deste ano, o Caprichoso chega ao 27º campeonato de sua história, consolidando-se como o maior vencedor do Festival de Parintins. A vitória coroa um projeto artístico que uniu tradição e inovação, valorizando a cultura amazônica em toda a sua diversidade e complexidade.
O festival, que é um dos maiores eventos culturais do Brasil, mais uma vez mostrou a força da identidade paraense e amazônica, atraindo turistas de todo o país e do exterior para a ilha de Parintins.
O que esperar de 2027?
Com o fim do 59º Festival, os olhares já se voltam para 2027. Caprichoso e Garantido devem começar nos próximos meses os preparativos para a próxima edição, em busca de novos títulos e de histórias que continuem encantando o mundo com a magia do boi-bumbá.
Por enquanto, a festa é azul e branca. O Caprichoso é campeão, e Parintins está em festa até o amanhecer.
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