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Estélio Munduruku

A UNIVERSIDADE FEDERAL INDÍGENA: DA LUTA À CONQUISTA

Durante muitos anos, os povos indígenas foram excluídos dos espaços universitários e tiveram seus saberes invisibilizados pela sociedade brasileira

A UNIVERSIDADE FEDERAL INDÍGENA: DA LUTA À CONQUISTA

O movimento indígena tem lutado intensamente por garantia de políticas públicas tanto na saúde e na educação, com tantos avanços e incidência direta dos povos indígenas presentes nas intuições do governo, hoje, o sonho de ter uma Universidade Federal Indígena UNIND, está sendo concretizado. A construção desse processo de construção se deu por reivindicação do movimento indígena junto ao Ministério da Educação (MEC), Ministérios dos Povos Indígenas (MPI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

Desde, então, houve a realização de 20 seminários no ano 2024, que percorreu por todas as regiões do Brasil, um diálogo de escuta e construção com todos os povos indígenas de norte a sul e de leste a oeste. A instituição indígena é voltada ao conhecimento do universo dos povos originários, que representa muito mais do que um espaço de formação acadêmica. Além disso, será um território de saber vivo e ao mesmo tempo de resistência, pautado pela autonomia, valorização intercultural, produção de conhecimento e fortalecimento do universo originário.

Além disso, o protagonismo indígena é essencial na luta de direito constitucional e quem esteve como relatora do Projeto de Lei 6132/2025, que cria a Universidade Federal Indígena, foi a deputada federal indígena Célia Xakriabá (PSOL-MG), que conduziu o trabalho na Câmara dos Deputados, e teve a frente ativamente resultando no parecer favorável a criação da UNIND, esse foi o segundo passo de conquista datado no dia 10 de fevereiro de 2026.

Com a aprovação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 6132/2025 seguiu para o Senado Federal, que foi relatada pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), um apoio que trouxe a consolidação da UNIND, votado em unanimidade e estabelecendo o funcionamento em 2027 o mais breve possível. Com isso, o movimento indígena só tem a ganhar, e mais uma vez tem o parecer favorável, exatamente no dia 05 de maio de 2026. Assim, essa conquista não foi dada, mas foi uma luta histórica dos povos indígenas que almeja sempre o direito à educação diferenciada, intercultural construída a partir de suas próprias realidades, línguas, tradições e modos de vida.

Portanto, durante muitos anos, os povos indígenas foram excluídos dos espaços universitários e tiveram seus saberes invisibilizados pela sociedade brasileira. Essa luta da criação da Universidade Indígena no Brasil, surge justamente para romper essa lógica colonial, reconhecendo que os conhecimentos tradicionais possuem enorme valor científico, social, ambiental, espiritual e humano. Ela sem dúvida, irá promove um diálogo entre os saberes ancestrais e o conhecimento acadêmico, sem apagar a identidade e agregar as epistemos dos povos originários junto a academia científica brasileira.

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