O preço da gasolina voltou a subir em Manaus e já atinge R$ 7,59 em parte dos postos da capital. O aumento acumulado nas últimas duas semanas chega a cerca de R$ 0,60 por litro, pressionando o orçamento dos motoristas. Apesar da alta generalizada, ainda é possível encontrar o combustível sendo vendido a R$ 7,29 em alguns estabelecimentos.
Diante da escalada nos preços, a Refinaria da Amazônia (REAM) divulgou nota oficial no fim de semana para esclarecer os fatores que impactam o mercado de combustíveis na região. Sem citar reajustes específicos, a empresa apontou que o cenário atual é influenciado principalmente por variáveis externas, com destaque para o mercado internacional de petróleo.

REAM responde por 30% do mercado no Amazonas
Segundo a refinaria, a REAM responde por aproximadamente 30% do volume de combustíveis comercializados no Amazonas e cerca de 5% na Região Norte. A companhia ressaltou, no entanto, que o abastecimento local não depende exclusivamente de sua atuação, sendo compartilhado com outros agentes, como a Petrobras, importadores e operadores logísticos.
A empresa também destacou que mantém as operações ativas para evitar riscos de desabastecimento, mas reconheceu limitações estruturais da planta, construída na década de 1950. De acordo com a nota, a refinaria não consegue produzir diretamente gasolina e diesel dentro das especificações atuais apenas com o refino, dependendo da importação de insumos para a formulação dos combustíveis.
Cenário internacional e custos logísticos
Outro fator apontado foi o impacto do cenário internacional. A REAM citou a escalada de conflitos no Oriente Médio como elemento de instabilidade, com reflexos diretos nos preços globais. Conforme a empresa, a gasolina registrou alta de 36% e o diesel de 65% desde o fim de fevereiro, enquanto o barril de petróleo subiu de US$ 73 para cerca de US$ 110.
Além disso, custos como frete, seguro e logística seguem elevados, influenciando a composição final dos preços ao consumidor. Nesse contexto, a refinaria afirmou adotar a política de paridade de importação para garantir a reposição de estoques e a continuidade do abastecimento na região.
A nota encerra reiterando o compromisso com o fornecimento regular de combustíveis, mesmo diante de um ambiente de maior volatilidade no mercado global.
Novo marco regulatório para a Zona Franca
Outro fator relevante para o setor foi a publicação, na última quinta-feira (19), da Portaria Interministerial MDIC/MCTI nº 167 no Diário Oficial da União. A medida estabelece o Processo Produtivo Básico (PPB) para derivados de petróleo industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), como gasolina, diesel e GLP.
Considerada um marco regulatório, a portaria encerra um período de incertezas ao definir regras para o acesso aos incentivos fiscais na região. Em contrapartida, o texto exige o compromisso das empresas com a industrialização efetiva em solo amazonense, o que pode impactar a dinâmica do setor nos próximos anos.
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