Siga nossas redes

Amazonas

Após atuação do MPAM, Justiça decreta prisão preventiva de policial por tentativa de homicídio em Maraã

Policial atirou contra dois pescadores desarmados no rio e, em seguida, foi ao hospital onde as vítimas estavam para tentar coagí-las. MPAM destacou risco à segurança das testemunhas

Após atuação do MPAM, Justiça decreta prisão preventiva de policial por tentativa de homicídio em Maraã

Além de atentar contra a vida de dois moradores do município, o PM ainda teria se aproveitado de sua posição para intimidar as vítimas em hospital

Maraã, AM – A Justiça do Amazonas decretou a prisão preventiva de um policial militar acusado de tentativa de homicídio qualificado e intimidação de testemunha no município de Maraã, localizado a cerca de 600 km de Manaus. A decisão, atendendo a pedido do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), foi proferida no último sábado (17) pelo juiz Daniel do Nascimento Manussakis e visa assegurar a proteção das vítimas, a ordem pública e a continuidade das investigações.

Os crimes ocorreram no dia 14 de janeiro, quando o policial, em situação ainda não esclarecida, efetuou disparos de arma de fogo contra dois homens que pescavam em uma canoa no rio. Segundo os relatos das vítimas, o PM ordenou que parassem a embarcação e, como eles não o conheciam e continuaram remando, sacou a arma e começou a atirar. O quarto tiro atingiu uma das vítimas na perna, que ficou sangrando no rio.

A situação se agravou após o ataque. O policial, fardado, dirigiu-se ao hospital onde as vítimas recebiam atendimento, na tentativa de intimidá-las e coagir suas famílias. No local, ele ainda teria acusado os pescadores de furto de um motor e uma tampa de gasolina, numa aparente tentativa de distorcer os fatos e dificultar a investigação.

“Ele atirou, sem razão alguma, em duas pessoas desarmadas”

O promotor de Justiça Marcos Túlio Pereira Correia Júnior, que atuou no caso, destacou a gravidade e a falta de motivação para o ataque. “Ele atirou em dois moradores da cidade de Maraã, depois se dirigiu ao hospital para intimidar a família da vítima que foi alvejada e ainda estava atrapalhando nas investigações da Polícia Civil”, afirmou o promotor.

A decisão judicial considerou provas robustas, incluindo o exame de corpo de delito da vítima baleada e os depoimentos detalhados, que atestam a materialidade e autoria dos crimes. O juiz também ponderou o risco concreto para as vítimas, uma vez que todas as partes envolvidas residem na mesma localidade, o que poderia levar a novas intimidações ou violências caso o acusado permanecesse em liberdade.

Crimes enquadrados

As condutas do policial foram enquadradas como tentativa de homicídio qualificado (por motivo fútil e uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas) e intimidação de testemunha/vítima, ambos com penas severas previstas no Código Penal.

O caso chama a atenção não apenas pela violência gratuita, mas pelo grave abuso de autoridade, em que um agente público destinado a proteger a comunidade utilizou sua posição para cometer crimes e, posteriormente, tentar silenciar as vítimas. A prisão preventiva serve como medida cautelar extrema, refletindo a seriedade das acusações e a necessidade de afastar o acusado do convívio social para garantir a apuração dos fatos.

Leia mais:

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × 2 =

Mais em Amazonas