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Amazonas tem 438 Obras Federais Paralisadas e R$ 1,3 Bilhão Travados, Revela Painel do TCU

Levantamento aponta que estado reduziu ligeiramente o número de obras paradas, mas investimento paralisado supera R$ 1 bilhão. Moradores convivem com passarelas caídas, hospitais fechados e saneamento inacabado

Amazonas tem 438 Obras Federais Paralisadas e R$ 1,3 Bilhão Travados, Revela Painel do TCU

Levantamento do TCU aponta quase R$ 1,3 bilhão em investimentos travados; obras inacabadas vão de saneamento básico a hospitais e equipamentos públicos - Foto: Reprodução/YouTube

Manaus, AM – Um painel de monitoramento do Tribunal de Contas da União (TCU) revela um cenário crítico de gestão de recursos públicos no Amazonas: 438 obras financiadas com verba federal estão paralisadas no estado, travando um investimento total de aproximadamente R$ 1,3 bilhão. Os dados, atualizados para 2025, mostram que, apesar de uma leve redução em relação ao ano anterior (quando eram 452), quase 60% das 734 obras com recursos federais no Amazonas estão paradas, em andamento ou concluídas. Desse montante paralisado, R$ 439,5 milhões já foram gastos em projetos inacabados.

As obras atrasadas ou abandonadas abrangem setores essenciais: saneamento básico, mobilidade urbana, saúde e equipamentos públicos. O prejuízo, no entanto, vai além dos números, refletindo-se no dia a dia da população, que convive com a falta de serviços, riscos e promessas não cumpridas.

Risco e Insegurança na Capital

Em Manaus, a Avenida Torquato Tapajós, uma das mais movimentadas, é um exemplo do descaso. A passarela de pedestres foi derrubada por uma carreta em julho de 2024 e, um ano depois, não foi reconstruída. A Prefeitura informou que assumirá a obra após a seguradora negar ressarcimento, mas nada foi feito. Pedestres arriscam a vida diariamente, atravessando a via movimentada no nível do solo.

Obras do Parque Encontro das Águas em Manaus — Foto: Antonio Pereira/Semcom

Outros equipamentos públicos emblemáticos seguem como “elefantes brancos”. O Parque Encontro das Águas Rosa Almeida, anunciado como grande atrativo turístico, não foi entregue. A nova sede da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, dentro do Parque Ponte dos Bilhares, está com a obra abandonada, com vigas suspensas, após questionamentos sobre impacto ambiental.

Obras do Parque Encontro das Águas em Manaus — Foto: Antonio Pereira/Semcom

Saúde e Acolhimento Paralisados

Na saúde, a situação é grave. O Hospital do Sangue, também conhecido como Hemocentro, teve obras iniciadas há mais de uma década e segue fechado, afetando pacientes que dependem de transfusões e tratamentos hematológicos. “Conheci outras mães que perderam suas crianças por falta de recursos”, desabafa Greice Medeiros, mãe de um paciente que há sete anos enfrenta uma luta contra a doença.

Já a Casa da Mulher Brasileira, no bairro Petrópolis, que deveria acolher mulheres em situação de violência, está com as obras paradas desde 2023, mesmo com recursos federais garantidos.

Saneamento: Obra Parada é Sinônimo de Lama e Risco

No bairro Parque Mauá, Zona Leste, uma obra de saneamento básico paralisada desde outubro de 2024 transformou ruas em um lamaçal perigoso. “Nem o Samu entrava”, conta a dona de casa Maria Eduarda Chaves, que perdeu o pai recentemente e relata as dificuldades do falecido, que era cadeirante, para se locomover na área.

Especialista Aponta Falhas na Gestão

Para o especialista em gestão pública Lúcio Carril, o problema está na raiz: a falta de planejamento e fiscalização. “Obra inacabada, obra que demora muito para ser concluída, se não for por nenhum interpério, é por falta de planejamento do poder público”, afirma. Ele cita o desrespeito à Lei Orçamentária e à Lei de Diretrizes Orçamentárias como fatores centrais.

O que Dizem os Órgãos?

A reportagem solicitou posicionamento das autoridades. A Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) informou, em nota genérica, que concluiu 734 obras entre 2019 e 2025 e tem 148 em andamento, sem comentar os casos específicos do Hospital do Sangue ou da Casa da Mulher Brasileira. A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) não respondeu aos questionamentos.

Os dados do TCU colocam um holofonte sobre um ciclo perverso: recursos públicos federais são alocados, parcialmente executados e depois abandonados, enquanto a população paga duas vezes – pelos impostos e pela falta do serviço prometido.

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