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Gestor de offshore ligada a Flávio também integra escritório de Willer Tomaz

Documentos da Câmara e registros judiciais apontam atuação de Mateo Scudeler na banca ligada a Willer Tomaz e Eugênio Aragão. Ex-ministro da Justiça anunciou saída da sociedade após o primeiro turno das eleições

Gestor de offshore ligada a Flávio também integra escritório de Willer Tomaz

Foto: Redes sociais

O advogado Mateo Scudeler, que administrou uma offshore ligada ao jatinho utilizado pelo candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL), também integra os registros profissionais do escritório Aragão & Tomaz Advogados Associados, pertencente ao advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência, e ao ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão.

Documentos oficiais obtidos pelo núcleo investigativo do ICL Notícias comprovam que Scudeler atuava na banca durante o período em que administrava a empresa no exterior.

A descoberta ocorre em meio a uma mudança na sociedade. Em conversa com o ICL Notícias nesta sexta-feira (16), Eugênio Aragão confirmou que comunicou sua saída do escritório no dia 5 de outubro, um dia depois do primeiro turno das eleições. O desligamento ainda não foi formalizado e, segundo ele, será concluído no próximo dia 26.

“Já comuniquei minha saída. Tem várias causas em que estou constituído. Isso precisa ser resolvido para sair da sociedade Aragão e Tomaz Advogados Associados. É um procedimento que exige uma complexa logística”, afirmou.

Eugênio Aragão e Willer Tomaz manteve uma parceria profissional desde 2017. O escritório conjunto foi formalizado em setembro de 2018 e permanece ativo nos cadastros empresariais, com os dois advogados registrados como sócios.

Atualmente Aragão possui uma sociedade independente, denominada Eugênio Aragão Advogados Associados. O escritório próprio foi constituído em abril de 2023, período em que ele ainda mantinha a parceria com Willer.

A empresa administrada por Scudeler é a Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. Segundo reportagem publicada pelo “Metrópoles”, a offshore pertence a Willer Tomaz e detém uma participação no jatinho Legacy 650, de matrícula PP-NLR, utilizado por Flávio Bolsonaro. O voo do candidato foi revelado pela revista “Piauí”. O advogado administrou a empresa entre abril de 2023 e junho de 2026.

A Alcazar também apareceu em documentos bancários obtidos pela Polícia Federal na investigação sobre desvios de recursos do INSS. Conforme revelado pelo pela jornalista Malu Gaspar, registros indicam que Flávio estava cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à empresa. O candidato e Willer negam ter compartilhado contas ou mantido relações financeiras e atribuem a informação a um erro cadastral.

Documento da Câmara comprova vínculo com escritório

Um documento oficial da Câmara dos Deputados, de 27 de junho de 2023, comprova que Scudeler atuava como advogado sênior do Aragão & Tomaz Advogados Associados.

Na ocasião, ele encaminhou à CPI da Manipulação de Resultados no Futebol uma petição da Kaizen Gaming, operadora da plataforma de apostas Betano.

O e-mail foi enviado pelo endereço institucional  do escritório.

A documentação também identifica Eugênio Aragão como advogado constituído pela Betano para representá-la perante a comissão parlamentar.

Naquele momento, Scudeler já administrava a Alcazar Holdings, segundo a cronologia divulgada pelo Metrópoles. Isso significa que ele exercia simultaneamente atividades profissionais no escritório de Willer e na administração da offshore pertencente ao advogado.

O vínculo aparece novamente em registros judiciais de 2026. Em um processo envolvendo o espólio do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, Scudeler figura entre os advogados ao lado de Willer Tomaz e do escritório Aragão & Tomaz.

Os documentos demonstram a continuidade da representação processual, embora não esclareçam se Scudeler mantém atualmente um contrato de associação profissional com a banca.

Advogados também atuaram para entidade de apostas

Além de administrar a offshore e atuar no escritório, Mateo Scudeler presidiu a Associação Nacional dos Operadores Estaduais de Jogos e Loterias (Opera Legal), entidade que representa interesses de empresas do setor de apostas.

Entre suas associadas estão empresas como Pixbet, Vai de Bet e MarjoSports, segundo o “Metrópoles.”

A relação com o escritório de Willer também aparece em documentos do Supremo Tribunal Federal. Eugênio Aragão figura como advogado da Opera Legal em ações que discutem a regulamentação das apostas e loterias estaduais.

A entidade foi admitida como participante desses processos em agosto de 2026, quando Scudeler ainda aparecia como seu presidente em registros empresariais.

A documentação revela, portanto, que o escritório Aragão & Tomaz manteve vínculos profissionais tanto com a Betano quanto com a associação do setor de apostas dirigida por Scudeler, além de ter o advogado em seus registros de atuação processual.

Foto: Redes sociais

Willer é investigado pela Polícia Federal

Willer Tomaz é investigado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Em agosto, o escritório Aragão & Tomaz esteve entre os endereços abrangidos por medidas de busca autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A decisão, entretanto, excluiu expressamente os demais sócios e advogados do escopo investigativo. Os documentos consultados não apontam Eugênio Aragão ou Mateo Scudeler como investigados nesse procedimento.

Willer também mantém negócios ligados ao setor de apostas. Reportagem da “Folha de S.Paulo” identificou sua participação indireta na RioPag, empresa responsável pelo processamento de pagamentos de apostas no Rio de Janeiro. O advogado contestou a caracterização de sua participação empresarial.

Ao Metrópoles, Scudeler afirmou que sua atuação na Alcazar ocorreu como administrador contratado, sem participação societária na offshore. Ele também negou conhecimento de irregularidades e afirmou que suas diferentes atividades profissionais não tinham relação entre si.

Willer, por sua vez, sustenta que sua relação com Flávio Bolsonaro é exclusivamente de amizade e nega ter compartilhado contas bancárias com o candidato.

O ICL Notícias procurou Willer Tomaz e Mateo Scudeler para esclarecer a natureza dos vínculos profissionais e a relação com a offshore Alcazar Holdings, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.

Com informações do ICLNotícias

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