Siga nossas redes

Eleições 2026

O Banco Master e o cenário eleitoral: indícios, investigações e disputa política

Investigações apontam conexões entre a instituição financeira e lideranças políticas conservadoras, enquanto eleitores indecisos podem encontrar no caso um motivo decisivo para apoiar a reeleição de Lula

O Banco Master e o cenário eleitoral: indícios, investigações e disputa política

Foto: Canva, Chatgpt

Segundo pesquisa do Datafolha, publicada em 3 de julho deste ano, boa parte da população brasileira se declara de direita (44%). Há poucos anos, movimentos religiosos e políticos de direita cresceram em igrejas neopentecostais e pentecostais e em partidos de direita, disseminando sentimentos de rejeição e, inclusive, de ódio ao comunismo, aos petistas e a seus congêneres.

Esse movimento, que há mais de uma década abusa da fé alheia, disseminando mistificação, produzindo fundamentalismo e despolitizando a população brasileira, atingiu seu clímax com o golpe contra a presidenta Dilma, a prisão do presidente Lula e a fraudulenta eleição de Jair Bolsonaro, em 2018.

Esse quadro é elucidado com bastante criatividade pelo instagrammer Luciano da Luz, que realiza enquetes e questionamentos sobre a posição político-eleitoral dos brasileiros, sobretudo na Avenida Paulista. Luciano é filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, atualmente, candidato a deputado federal por São Paulo. Em diversos vídeos, além de perguntar aos eleitores sobre sua preferência entre os dois principais candidatos à Presidência da República — Lula e Flávio Bolsonaro —, Luciano também questiona sobre projetos e políticas que beneficiam a população.

Em 99% dos vídeos, as pessoas que preferem o candidato Flávio Bolsonaro não sabem falar nada sobre as proposições de seu candidato e definem sua preferência por aspectos morais, como a família, a religião e os costumes, sempre recorrendo a jargões e a posições bastante superficiais.

Os eleitores de Lula entrevistados por Luciano, pelo contrário, sabem definir com precisão os motivos de seus votos, mencionando programas federais criados por seu candidato, falando sobre sua biografia, sua política internacional, entre outras coisas. Mas qual seria o motivo dessa abissal diferença qualitativa no eleitorado?

O festival de fake news e desinformação levado a cabo por lideranças desses movimentos políticos, com origem em igrejas e movimentos conservadores estadunidenses. Nesses movimentos, há uma clara compreensão sobre os fenômenos de massa e sobre os elementos que podem contribuir para a alienação e para o domínio psicossocial das multidões, gerando o fenômeno que ficou conhecido como dissonância cognitiva, no qual as convicções dos sujeitos não precisam estar de acordo com a realidade.

Cria-se, assim, uma realidade paralela na qual existem sósias do presidente Lula; a esquerda fecha igrejas, defende bandidos; a Terra é plana; a economia vai de mal a pior; Israel é um Estado cristão; e Donald Trump é um herói, o salvador da humanidade.

É difícil dialogar com essa parte do eleitorado, mas boa parte das pessoas encontra-se entre a indecisão e posições bastante fluidas em relação aos outros candidatos à Presidência. Com essas pessoas, é possível dialogar e, segundo a última pesquisa, elas somam 27% do eleitorado.

Nesse sentido, o caso do Banco Master é um bom caminho para convencer outros eleitores a votar em Lula, o chefe do Executivo que está possibilitando uma ampla e irrestrita investigação, fazendo declarações públicas e reafirmando sua prática de dar transparência ao processo, sem interferir, sequer, quando seu próprio filho é citado.

No caso dessa caixa de Pandora que é o Banco Master, há fortes indícios, inclusive com áudios e vídeos tornados públicos, envolvendo inúmeras autoridades, sobretudo do Legislativo e do Judiciário, Daniel Vorcaro e o Banco Master.

A esmagadora maioria dessas autoridades é de direita, como o próprio candidato Flávio Bolsonaro — um dos principais implicados —, ministros do STF, como Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli e outros, os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, respectivamente, além do deputado Ciro Nogueira, que possuía uma lista de pagamentos a deputados federais, todos de direita.

Há políticos de esquerda citados e/ou implicados? Nenhum do PSOL, por exemplo. E, entre os ministros do STF, aquele com a mais forte raiz comunista, Flávio Dino, é um dos poucos que sequer foi mencionado.

Governadores de direita depositaram, a fundo perdido, dinheiro de aposentados no Banco Master: Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Clécio Luís (Amapá) e Wilson Lima (Amazonas), todos de direita, assim como muitos prefeitos desse grupo.

Vorcaro também foi doador de campanha de Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que receberam R$ 5 milhões cada um.

Por isso, pessoas indecisas ou que ainda não decidiram votar em Lula para presidente: se você não sofre de dissonância cognitiva ou não é um dos que apoiam o roubo descarado de dinheiro público, eis aí uma farta lista de motivos para você, assim como eu, votar 13 no dia 4 de outubro. Fazuéle!

Texto: Prof. Welton Oda

Leia mais:

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

1 × 3 =

Mais em Eleições 2026