O Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) debate nesta segunda-feira (5), em sessão de emergência, a legalidade do ataque militar conduzido pelos Estados Unidos que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e em sua remoção do poder no último sábado (3). O governo norte-americano, que tem poder de veto nas votações do Conselho, vê sua ação justificada, mas enfrenta uma onda de condenações internacionais.
A reunião, solicitada pela Colômbia após a operação que atingiu Caracas e prendeu Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foi aberta com um tom de alarme. A vice-secretária-geral da ONU afirmou, no discurso inicial, que a organização está “preocupada que a operação não respeitou as regras do direito internacional”, estabelecendo o tom crítico que dominou os primeiros pronunciamentos.
As críticas mais duras partiram de Rússia e China, membros permanentes do Conselho. O embaixador russo acusou os Estados Unidos de “hipocrisia e cinismo”, afirmando que a Casa Branca “nem escondeu o teor de sua operação criminosa para tomar os recursos energéticos” venezuelanos. Ele pediu a libertação imediata de Maduro e alertou: “Com suas ações, os EUA estão gerando um embalo para um novo momento de neocolonialismo e imperialismo”. A Rússia também afirmou que a ONU não pode aceitar a postura do governo norte-americano.
Em linha semelhante, o representante da China expressou estar “profundamente chocado” e “condena fortemente o bullying” dos EUA. Ele acusou Washington de desconsiderar as graves consequências para a comunidade internacional e de “colocar a paz internacional e da América Latina em perigo”.
Posição do Brasil
O Brasil, que não é membro permanente do Conselho, solicitou direito à palavra e deve se pronunciar para condenar o ataque. Conforme antecipado por fontes diplomáticas, o embaixador brasileiro Sérgio Danese deve reafirmar a posição oficial do governo: a ação militar unilateral é uma “afronta à soberania do país sul-americano e às regras do direito internacional”. A fala do Brasil será observada como um importante indicador do posicionamento regional diante da crise.
O debate ocorre em um cenário de profunda divisão no principal órgão de segurança global. Enquanto aliados próximos dos EUA podem oferecer algum apoio tácito, as condenações públicas da Rússia e da China, assim como a postura crítica da vice-secretária-geral, ilustram o isolamento diplomático de Washington nesta ação. A capacidade de veto dos EUA, no entanto, torna improvável qualquer resolução condenatória no Conselho.
A sessão continua, com expectativa de mais pronunciamentos de outros membros não-permanentes e nações afetadas pela crise. A comunidade internacional aguarda para ver se a pressão diplomática conseguirá forçar algum tipo de resposta ou mediação, enquanto a situação política e humanitária na Venezuela entra em um capítulo ainda mais imprevisível e perigoso.