
Foto: Mirian Brito
Já fazia algum tempo que eu não escrevia um artigo. Vai fazer um ano que meu filho nasceu (03/04/2025) e, desde então, minha vida mudou totalmente. Minha vida tomou um novo rumo. A maternidade tem seus desafios, que são inúmeros. Mas o meu filho é a melhor coisa que me aconteceu.
Meu parto foi cesariana, pois não consegui ter parto normal. Tive mastite (inflamação mamária) e não desejo isso nem para o meu pior inimigo. Quando tive mastite, me reconectei com Deus. Não que eu não acreditasse. Sempre acreditei que Ele é o Senhor Todo-Poderoso. Porém, antes, quando eu adoecia, não me sentia digna de pedir ajuda a Ele, pois, para mim, não devemos buscar Deus apenas nas horas difíceis, mas sempre. Pedi que Ele me curasse, pois, do jeito que eu estava, não conseguia cuidar do meu filho. Graças a Deus e louvado seja Ele, fui curada.
No dia 9 de outubro de 2025 terminou a minha licença-maternidade e, no dia 10, fui convocada pela SEDUC-PA para ser professora da educação quilombola. Fui agraciada por Deus, pois tinha pedido um trabalho, um norte para sustentar meu filho. Vocês devem estar pensando: e o pai? O pai é meu companheiro, Frank. Graças a Deus ele me ajuda bastante e sempre me incentiva. Sempre gostei de trabalhar.
Trabalhar no ensino médio, na modalidade NEM Quilombola (Novo Ensino Médio Quilombola, modelo educacional desenvolvido para atender estudantes de comunidades quilombolas, organizado por áreas de conhecimento e estruturado para dialogar com a realidade cultural, social e territorial dessas comunidades), é um desafio, pois nunca havia trabalhado com ensino médio nem em forma de circuito (modelo de organização em que o professor atende diferentes comunidades ou turmas em períodos alternados, adaptando o planejamento pedagógico às especificidades de cada localidade). Ainda assim, é gratificante, pois de todo desafio colhemos aprendizado. Trabalho nas comunidades quilombolas Muratubinha e Arapucu. Na comunidade Muratubinha já tinha trabalhado antes com o Ensino Fundamental II. Muratubinha é o lugar em que vivo, o quilombo onde vivi minha infância. Já trabalhei também no quilombo Mondongo de Cima e na comunidade São Lázaro.
Atualmente, trabalho na área de Linguagens e suas Tecnologias (uma das áreas de conhecimento do Novo Ensino Médio que reúne componentes como Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Arte e Educação Física, buscando desenvolver competências de leitura, comunicação, expressão cultural e compreensão crítica das diferentes linguagens presentes na sociedade). Trabalho esses componentes voltados para a educação quilombola, da qual faço parte. Acredito que o professor deve estudar sempre, buscar novos conhecimentos, novas alternativas e entender a realidade do seu aluno, trabalhando com empatia. Ensinar em comunidades quilombolas também significa reconhecer histórias, valorizar identidades e contribuir para que os estudantes percebam que seus territórios, suas culturas e suas trajetórias também são espaços legítimos de conhecimento, dignidade e construção de futuro.
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