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Estélio Munduruku

O mês dos Povos Originários

Os povos originários resistem, afirmam identidade, reivindicam direitos e projetam futuros com dignidade e memória ancestral viva

O mês dos Povos Originários

Foto: Estélio Munduruku

Chegamos ao mês de abril, um dos meses mais simbólicos de luta e resistência do ano. Apesar de nossas lutas serem constantes ao longo de todo o ano, o mês de abril carrega uma profunda reflexão, respeito e valorização da luta dos povos originários. Mais do que uma data, é um mês indígena, pois, em 1943, foi oficializado o dia 19, por Getúlio Vargas, no Brasil. Essa data também remete ao primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado em 1940, no México, em defesa dos povos indígenas.

Por isso, vivemos no presente, não apenas nos territórios, mas também em diversos espaços, elevando a luta e a voz dos ancestrais por meio dos estudos na academia e na sociedade, assim como em movimentos organizados que atuam diretamente na defesa dos nossos direitos e dos nossos territórios. Apesar disso, as ameaças, os ataques, o preconceito e a falta de conhecimento da sociedade brasileira sobre os povos indígenas ainda são significativos, sobretudo em uma era marcada pela tecnologia da informação.

Isso porque, há muitos séculos, foi ensinado nas escolas brasileiras que o Brasil foi “descoberto” e que não havia ninguém aqui. Ainda hoje, percebe-se uma educação colonizada, que enxerga o indígena como caricatura, personagem ou figura folclorizada. Por isso, o ensino brasileiro deve atualizar suas abordagens para tratar dos povos originários de forma adequada. Em pleno século XXI, enfrentamos sérios desafios, como a perda de territórios, a violência, o racismo e a invisibilização.

São esses desafios que enfrentamos todos os dias; portanto, não há o que comemorar. Só haverá motivo para comemoração quando todas essas formas de preconceito, exclusão e violência forem extintas. É necessário que o povo brasileiro compreenda que este solo possui origem, cultura, povos e línguas indígenas, que permanecem vivos por meio de suas histórias e memórias ancestrais. Vivemos, resistimos e somos reais: os verdadeiros filhos desta terra chamada Brasil.

Portanto, falar do mês dos povos originários é também dar voz e, mais do que visibilidade, é promover o conhecimento sobre a cultura e as lutas dos povos indígenas. Além disso, é fundamental entender que não se trata apenas do passado, mas de um presente vivo, diverso e essencial para o futuro das gerações. Para além disso, não queremos ser reduzidos a uma data comemorativa, pois todos os dias há indígenas enfrentando desafios, seja nos territórios ou nas cidades. O que buscamos é envolvimento e apoio da sociedade no engajamento de nossas lutas.

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