
Registro da agressão e do pedido de desculpas - Foto: Reprodução
Parintins, AM – Uma acusação falsa de furto de celular desencadeou uma sequência de violências em Parintins, município a 369 quilômetros de Manaus, envolvendo uma influenciadora digital e uma adolescente. Ingrid Loren agrediu fisicamente a jovem ao acreditar, equivocadamente, que ela teria furtado seu aparelho há cerca de seis meses. Dias depois, como represália, a própria influenciadora teve o cabelo completamente raspado por um grupo de moradores.
De acordo com a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Ingrid atraiu a adolescente para um local isolado, onde desferiu socos, chutes e chegou a pisoteá-la. A agressão foi interrompida por homens que passavam pelo local e registrada em vídeo por uma testemunha.
Da violência ao arrependimento público
Após a adolescente comprovar que não tinha qualquer envolvimento com o furto, a revolta se espalhou entre moradores. Em um ato de “justiça com as próprias mãos”, Ingrid foi localizada e teve os cabelos raspados. Em vídeos que viralizaram, ela aparece careca e pede desculpas publicamente.
Influencer teve o cabelo raspado após agredir adolescente em Parintins
— Norte em Foco (@norteemfoco.bsky.social) 2026-01-29T20:32:47.307Z
“Eu quero pedir desculpas à Amanda, que não foi ela que roubou meu celular, foi outra pessoa. Tudo não passou de um mal-entendido e eu já paguei pelo que eu fiz com ela. Estou muito arrependida”, declarou a influenciadora, dirigindo-se também à própria família.
Inquérito policial aberto
Com a repercussão do caso, os pais da adolescente agredida registraram boletim de ocorrência. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar tanto a agressão inicial quanto a retaliação sofrida por Ingrid.
A influenciadora pode responder por lesão corporal e calúnia. Já os participantes do ato de raspar seu cabelo podem ser enquadrados em crimes como constrangimento ilegal, lesão corporal ou, dependendo das circunstâncias, tortura.
A adolescente agredida e Ingrid ainda serão ouvidas pela polícia. As investigações também buscam identificar todos os envolvidos na retaliação.
Ciclo de violência e alerta legal
O caso expõe um perigoso ciclo de violência e a fragilidade dos mecanismos de resolução de conflitos na comunidade. Enquanto parte da população local apoiou a punição aplicada à influenciadora, especialistas alertam para os riscos da justiça extraoficial.
“A automutilação social e a violência coletiva não resolvem conflitos, apenas ampliam traumas e podem gerar novos crimes. O caminho deve ser sempre o institucional”, destacou um promotor de Justiça com atuação na região, que não quis se identificar.
O caso segue sob investigação e deve ser acompanhado pelo Juizado da Infância e da Juventude, considerando a idade da vítima da agressão inicial.
Com informações da Polícia Civil do Amazonas e registros em redes sociais.
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