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Campanha de Flávio Bolsonaro propõe transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família

Coordenadora econômica defende prazo para famílias buscarem emprego formal ou abrirem negócios, com previsão de retorno ao programa caso a tentativa não dê certo; equipe afirma que a proposta amplia a regra de proteção atual.

Campanha de Flávio Bolsonaro propõe transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família

A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, anunciou nesta 2ª feira (19.out.2026) uma regra de transição de 2 anos para beneficiários do Bolsa Família que queiram buscar emprego formal ou abrir um negócio próprio. - Foto: Youtube

A coordenadora do núcleo econômico da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou nesta segunda-feira (19) que o Bolsa Família passaria a ter um período de transição de dois anos para os beneficiários, caso o senador seja eleito presidente. Após esse prazo, as famílias cujos beneficiados tivessem sucesso em conseguir emprego de carteira assinada ou em abrir pequenos negócio seriam desligadas do programa, segundo a proposta apresentada pela equipe do candidato.

Representantes da campanha de Flávio explicam que Marques teria apenas reafirmado uma proposta já feita de, basicamente, ampliar a regra de proteção existente para quem ultrapassa a renda permitida pelo programa: de um ano para dois anos. Segundo os representantes do time, não haveria desligamento.

O prazo de dois anos seria destinado a que os beneficiários conseguissem um emprego com carteira assinada ou abrissem um negócio. Segundo a coordenadora, haveria retorno automático ao Bolsa Família caso a tentativa não desse certo, mas não detalhou como funcionaria esse mecanismo nem quais seriam os critérios para a retomada do benefício.

A declaração foi feita em entrevista à CBN Bahia, em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Flávio Bolsonaro enfrenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.

“Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade”, afirmou Marques.

Ouça o áudio de Daniella Marques:

Segundo a coordenadora, a proposta pretende estimular a entrada dos beneficiários no mercado de trabalho e incentivar o empreendedorismo. A equipe de Flávio Bolsonaro também prevê a criação de um Ministério da Prosperidade, que seria responsável por oferecer crédito, capacitação profissional e parcerias com empresas privadas.

“O coração do plano é focar na prosperidade. Colocar o brasileiro para crescer junto com o brasil. Estão preservadas as proteções sociais, mas a gente quer todo brasileiro um plano para que o cresçam mais, com crédito, capacitação e parcerias com empresas privadas para cursos livres”, acrescentou.

A proposta ainda depende de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro e não representa uma mudança nas regras atualmente em vigor.

Bolsa Família teve reajuste de 15% em setembro

Relançado pelo governo Lula em março de 2023, o Bolsa Família é uma das principais políticas sociais da atual administração.

Em setembro deste ano, o governo federal anunciou um reajuste de aproximadamente 15,04% no valor mínimo do benefício, que passou de R$ 600 para R$ 691. Foi o primeiro aumento desde a retomada do programa.

Os pagamentos de outubro, primeiros a incorporar os novos valores, terão calendário unificado a partir de quarta-feira (21), conforme anunciado pelo governo nesta segunda-feira.

Para receber o Bolsa Família, a família precisa ter renda mensal de até R$ 218 por pessoa, manter os dados atualizados no Cadastro Único (CadÚnico) e cumprir as exigências relacionadas à saúde e à educação.

Em agosto, cerca de 19,3 milhões de famílias foram atendidas pelo programa em todo o país.

Além do valor mínimo de R$ 691, o benefício prevê pagamentos adicionais que podem ser acumulados conforme a composição familiar:

  • R$ 173 por criança de até 6 anos;
  • R$ 58 por gestante;
  • R$ 58 por criança ou adolescente de 7 a 17 anos;
  • R$ 58 por bebê de até 6 meses.

Como funciona a regra de proteção atual?

O Bolsa Família já possui um mecanismo para evitar que famílias percam imediatamente o benefício após um aumento de renda.

Pela chamada regra de proteção, famílias que ultrapassam o limite de R$ 218 mensais por pessoa podem continuar recebendo parte do auxílio, desde que a renda individual não supere R$ 706.

Nesses casos, o pagamento é reduzido para 50% do valor anteriormente recebido e pode ser mantido por até 18 meses.

O objetivo é permitir uma transição gradual para famílias que conseguem emprego ou aumentam seus rendimentos, considerando que a melhora da situação financeira nem sempre garante estabilidade imediata.

A proposta apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro prevê um prazo de dois anos e a possibilidade de retorno automático ao programa caso a tentativa de inserção no mercado de trabalho ou de abertura de um negócio não tenha sucesso.

Ainda não foram detalhados os critérios de desligamento, as condições para o retorno ao benefício nem a forma como a eventual nova regra seria aplicada às famílias que atualmente recebem o Bolsa Família.

Com informações do ICLNotícias

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