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Polícia

Operação do MPAM desarticula esquema de agiotagem em Manaus e prende três suspeitos

Operação Usura prende três, apreende R$ 160 mil e revela rede de agiotagem que atuava com intimidação psicológica. Entre 24 investigados, há advogados e um policial militar

Operação do MPAM desarticula esquema de agiotagem em Manaus e prende três suspeitos

Material apreendido na operação — Foto: Divulgação/MPAM

A promessa de dinheiro rápido escondia uma armadilha financeira e psicológica. Durante quatro meses, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) acompanhou de perto os passos de uma organização suspeita de transformar a necessidade alheia em lucro abusivo — com juros que chegavam a 70% ao mês e ameaças veladas como método de cobrança.

O alvo preferencial? Servidores do Poder Judiciário. Pessoas que, por ocuparem cargos públicos, seriam mais suscetíveis à coerção moral e ao medo de exposição.

A denúncia que desencadeou a operação

Tudo começou há cerca de quatro meses, quando uma servidora do Judiciário procurou o Ministério Público do Amazonas para relatar o esquema. A partir desse relato, o Gaeco mapeou uma organização composta por 24 pessoas físicas e jurídicas — entre elas, três advogados que teriam seus escritórios ligados ao esquema.

O grupo oferecia empréstimos que variavam até R$ 200 mil, mas a contrapartida era pesada: além dos juros exorbitantes, os devedores sofriam constante intimidação psicológica para manter o pagamento em dia.

Operação do Gaeco no Amazonas — Foto: Divulgação

Cronologia das prisões

As primeiras diligências ocorreram na última terça-feira (22), com a prisão de um policial militar suspeito de integrar a organização. Já nesta segunda (27), outros dois alvos foram detidos em flagrante — um deles por desacato. Um dos investigados, no entanto, não foi encontrado e é considerado foragido.

A Justiça expediu dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão, cumpridos em cinco bairros de Manaus: Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores.

Apreensões e bloqueios

Durante as buscas, os agentes recolheram aproximadamente R$ 160 mil em espécie — valor ainda sujeito a conferência oficial —, além de dois veículos, joias, documentos e celulares. As contas bancárias dos investigados também foram bloqueadas por decisão judicial.

O coordenador do Gaeco, promotor Leonardo Tupinambá, afirmou que as investigações seguem sob sigilo para que se possa dimensionar o alcance do esquema e o prejuízo causado às vítimas — tanto financeiro quanto emocional.

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