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Uruguai cancela voo fretado após queda na Copa, e jogadores voltarão em avião comercial

Goleiro Muslera e técnico Marcelo Bielsa são apontados como principais responsáveis pelo fracasso da Celeste na primeira fase da Copa do Mundo 2026

Uruguai cancela voo fretado após queda na Copa, e jogadores voltarão em avião comercial

Foto: Youtube, Canva

A eliminação da seleção uruguaia na primeira fase da Copa do Mundo 2026 provocou uma série de medidas drásticas por parte da Associação Uruguaia de Futebol (AUF). Segundo informações do jornal uruguaio El País, os 26 jogadores do elenco retornarão ao país em voos comerciais, separados uns dos outros, após o cancelamento do voo fretado que estava previsto para trazer a delegação de volta a Montevidéu.

A derrota para a Espanha por 1 a 0, na última sexta-feira (26), em Guadalajara, no México, foi um golpe duríssimo para a comissão técnica, jogadores, torcedores e dirigentes. O Uruguai terminou a campanha com apenas dois pontos em três jogos, ocupando a última colocação do Grupo H, atrás de Espanha (sete), Cabo Verde (três) e Arábia Saudita (dois).

Crise dentro e fora de campo

A eliminação consecutiva na fase de grupos — a segunda seguida após o desempenho em 2022 — expôs um ambiente interno deteriorado. A relação entre o técnico Marcelo Bielsa e os jogadores chegou ao ponto de ruptura ainda antes da partida decisiva contra a Espanha.

Segundo reportagens da imprensa internacional, o capitão José María Giménez e os jogadores Federico Valverde, Manuel Ugarte e Rodrigo Bentancur pediram uma reunião com Bielsa para solicitar mudanças na forma de jogar e nos treinamentos. Eles defendiam uma postura mais compacta, com bloco baixo e explorando contra-ataques, mas o treinador argentino manteve seu plano de marcação individual, recusando as sugestões do grupo.

O lateral Ronald Araújo teria resumido o clima no vestiário com uma frase direcionada a Bielsa: “Deus queira que passemos de fase, mas ninguém aguenta mais.”

Na entrevista coletiva após a derrota, Bielsa assumiu parte da responsabilidade. “Não consegui extrair o máximo do talento desse grupo de jogadores uruguaios. Não consegui unir as qualidades individuais para formar uma equipe coesa que realmente refletisse a qualidade dos jogadores”, afirmou o técnico, que parece já estar de saída — seu contrato iria até o final da Copa e, com a eliminação, o ciclo chegou ao fim.

As falhas de Muslera e a aposta que deu errado

Entre os principais vilões apontados para o desempenho pífio da Celeste está o goleiro Fernando Muslera, que esteve presente nos últimos seis Mundiais da equipe. O arqueiro de 40 anos, que já havia se aposentado da seleção, foi reconvocado por Bielsa em uma aposta pessoal do treinador — e a decisão se mostrou desastrosa.

Muslera falhou em todos os jogos da fase de grupos, incluindo o lance que custou a derrota para a Espanha. Aos 42 minutos do primeiro tempo, o meia espanhol Alex Baena arriscou um chute de fora da área que não tinha grande perigo, mas a bola escapou das mãos do goleiro e entrou — o único gol da partida.

“Sinto muito por não ter feito uma boa Copa do Mundo. Pedi desculpas para eles e para todo o povo uruguaio, embora isso não seja suficiente”, declarou Muslera emocionado após o jogo.

A situação ficou ainda mais simbólica quando Bielsa, no intervalo, substituiu o goleiro que ele mesmo havia defendido contra a opinião pública, expondo ainda mais o atleta e o próprio treinador.

O técnico justificou a mudança dizendo que a decisão partiu do próprio Muslera, mas a imagem de um treinador corrigindo em público sua principal aposta pessoal selou o tom de fracasso da campanha.

A herança de um ciclo frustrado

Marcelo Bielsa deixa o cargo com um retrospecto amargo em Copas do Mundo. Em três edições do torneio, o argentino venceu apenas três das dez partidas que disputou: caiu na fase de grupos com a Argentina em 2002, chegou às oitavas com o Chile em 2010 (eliminado pelo Brasil), e agora repete a eliminação precoce com o Uruguai.

Embora sua influência tática seja reconhecida por treinadores como Pep Guardiola e Mauricio Pochettino, Bielsa acumula apenas três títulos oficiais em mais de 40 anos de carreira, sendo o mais recente o acesso do Leeds à Premier League em 2020. A passagem pelo Uruguai, que começou com vitórias sobre Brasil e Argentina nas Eliminatórias, termina em meio a rachaduras internas, desconfiança e um desempenho muito abaixo do esperado.

Voos separados e clima de despedida

A decisão da AUF de cancelar o voo fretado e distribuir os jogadores em voos comerciais separados reflete o clima pesado após a eliminação. Jogadores que chegaram ao México como heróis de uma geração talentosa — com nomes como Valverde, Darwin Núñez e Ugarte — voltarão para casa praticamente anônimos, sem a pompa que acompanhou a viagem de ida.

Para o futebol uruguaio, bicampeão mundial (1930 e 1950), a segunda eliminação consecutiva na primeira fase de uma Copa representa um alerta grave sobre a necessidade de renovação. Cabo Verde, em sua primeira participação em Mundiais, terminou à frente dos uruguaios na classificação — um símbolo do tamanho do fracasso.

“Uruguai não venceu nenhum jogo e foi superado por uma estreante. O time que já foi potência mundial agora assiste de casa ao resto da competição”, resume a imprensa esportiva internacional.

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