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Ailane Brito

Educação superior pública no Oeste do Pará é tema de debate e lançamento de obra

O evento aconteceu no último 24 de abril, no auditório do Instituto Federal do Pará – Campus Óbidos, que sediou um dos momentos mais aguardados pela comunidade acadêmica da Universidade Federal do Oeste do Pará no município

Educação superior pública no Oeste do Pará é tema de debate e lançamento de obra

Fonte: Acervo da UFOPA

A história da educação superior pública na Amazônia ganhou mais um importante registro. Durante evento realizado recentemente, foi apresentada a obra A presença da Educação Superior Pública no “coração” da Amazônia Brasileira: uma história para ser lembrada (1970–2021), de autoria de Maria Raimunda Santos da Costa, reunindo décadas de luta, resistência e construção institucional em uma das regiões mais desafiadoras do país.

O evento aconteceu no último 24 de abril, no auditório do Instituto Federal do Pará – Campus Óbidos, que sediou um dos momentos mais aguardados pela comunidade acadêmica da Universidade Federal do Oeste do Pará no município.

Organizada em formato de seminário, a programação contou com dois painéis temáticos e, ao encerramento, o lançamento de livro voltado à memória e à consolidação do ensino superior público no coração da Amazônia.

O encontro reuniu diferentes gerações, educadores, pesquisadores e membros da comunidade acadêmica, que destacaram a relevância da produção para compreender o papel das instituições públicas no interior da Amazônia. Em tempos em que o debate sobre financiamento e valorização da educação pública se intensifica, revisitar essa trajetória se torna não apenas necessário, mas urgente.

A mesa de abertura chamou atenção pelo protagonismo feminino na construção e fortalecimento da educação superior na região. Composta majoritariamente por mulheres que ocupam espaços de liderança acadêmica e institucional, Dra. Maria Raimunda da Costa, Dra. Marilene Aquino e representantes do poder público, Vereadora Izalina Alves e representante da Secretaria Municipal de Educação, Mônica Figueira.

Esse momento simbolizou a presença decisiva de trajetórias femininas na defesa da universidade pública, na produção do conhecimento e na ampliação de oportunidades no Oeste paraense. Mais do que representação, a composição da mesa evidenciou o papel concreto dessas mulheres na condução de processos históricos ligados ao ensino superior no interior da Amazônia.

Fonte: Acervo da UFOPA

O primeiro painel do seminário abordou o tema “A expansão da Educação Superior Pública e seus efeitos educacionais, culturais e econômicos no Oeste Paraense: acesso, permanência, qualidade e retorno social”. O debate foi mediado pelo coordenador do curso de Direito, Dr. Vinícius Gomes e contou com a participação do professor Dr. Hugo Alex Diniz, de forma online, e da professora Dr. Marilene Aquino- Diretora do Campus Óbidos.

As exposições destacaram os impactos da interiorização do ensino superior na região, discutindo desde a ampliação do acesso até os desafios relacionados à permanência estudantil, à qualidade acadêmica e aos efeitos sociais gerados pela presença da universidade pública no interior da Amazônia.

O segundo painel, intitulado “A Expansão da Educação Superior: trajetória de formação, desafios socioeconômicos, efeitos e ganhos pessoais e profissionais e representação social loco-regional – Relato de Experiências”, foi mediado pela professora mestra Carolina Amarante e se destacou pela força dos depoimentos apresentados.

Fonte: Acervo da UFOPA

A mesa reuniu acadêmicos originários do antigo Núcleo Universitário da Universidade Federal do Pará e também da Universidade Federal do Oeste do Pará, resgatando diferentes etapas da consolidação do ensino superior público em Óbidos.

Um dos aspectos mais marcantes do painel foi a presença de egressos desde a turma de 1994, muitos deles hoje atuando como profissionais efetivos das redes públicas de Educação. Entre os participantes estiveram Carlos Vieira, J. Barbosa e Ana Nilva Pereira, entre outros nomes que ajudaram a construir a história educacional do município.

Os relatos evidenciaram que o acesso à universidade pública significou não apenas formação acadêmica, mas mobilidade social, valorização profissional e ampliação da representação regional em espaços antes historicamente inacessíveis. Cada trajetória apresentada reafirmou que a educação superior, na Amazônia, foi conquistada por meio de persistência coletiva e esforço individual.

Um dos pontos mais aguardado e marcante do encontro foi o lançamento da obra A presença da Educação Superior Pública no “coração” da Amazônia Brasileira: uma história para ser lembrada (1970–2021), importante registro sobre a trajetória da educação superior na região e sobre os sujeitos que a tornaram possível.

Fonte: Acervo da UFOPA

A obra construída pela professora Dr. Maria Raimunda Santos da Costa resgata experiências que, muitas vezes, permanecem invisibilizadas no cenário nacional. Ao colocar a Amazônia no centro da discussão, a obra rompe com a lógica periférica que historicamente marcou a região, reafirmando seu protagonismo na produção de conhecimento.

A obra também evidência a chegada da universidade a municípios como Óbidos não ocorreu por acaso. Foi resultado de forças internas, articulação popular, debates públicos e enfrentamentos permanentes contra a lógica que historicamente relegou a Amazônia ao abandono educacional. Até a década de 1970, o Oeste do Pará não dispunha de ensino superior. Esse dado histórico reforça uma constatação central repetida ao longo da programação: oportunidade não foi dada, foi conquistada.

Nesse percurso, o nome da professora Maria Raimunda ocupa lugar incontornável. Mais do que autora da obra apresentada, ela figura entre as lideranças históricas que ajudaram a romper o isolamento educacional imposto à região. Sua atuação esteve diretamente ligada às articulações e lutas que abriram caminho para a consolidação da educação superior pública no Oeste paraense.

Maria Raimunda não apenas escreve essa história — ela a viveu e ajudou a construí-la. Sua trajetória se confunde com a caminhada de milhares de jovens amazônidas que passaram a enxergar a universidade como possibilidade real de futuro. Ao definir a Universidade Federal do Oeste do Pará como uma “pérola no coração da Amazônia”, a professora Maria Raimunda traduz em metáfora aquilo que muitos reconhecem na prática: a universidade pública como patrimônio do povo, instrumento de emancipação social e símbolo de dignidade regional.

Mais do que um lançamento de livro, o momento se configurou como um espaço de memória e reconhecimento. A obra percorre um período significativo — de 1970 a 2021 — evidenciando como a presença da educação superior pública na Amazônia, especificamente no Oeste do Pará, não foi um processo espontâneo, mas resultado de disputas, políticas públicas e, sobretudo, do empenho de sujeitos comprometidos com a democratização do ensino.

Ao reunir passado e presente, o encontro deixou uma mensagem nítida: nenhuma transformação histórica nasce da generosidade dos poderosos. Ela nasce da coragem de quem organiza, reivindica e luta. A universidade pública no coração da Amazônia existe porque houve quem se recusasse a aceitar o silêncio e a exclusão como destino.

Participar desse momento foi, acima de tudo, testemunhar a força da educação como instrumento de transformação social. O livro não apenas documenta o passado, mas também provoca reflexões sobre o presente e o futuro da educação pública na região.

Em um país marcado por profundas desigualdades, iniciativas como essa reforçam a importância de preservar a memória e fortalecer as instituições que sustentam o direito à educação. Afinal, contar essa história é também garantir que ela continue sendo escrita.

Fonte: Acervo da UFOPA

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