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Na China, ensino técnico ganha força e atrai jovens da geração Z em busca de empregabilidade

Com mercado de trabalho competitivo e incentivo governamental, formação profissional cresce como alternativa ao ensino superior tradicional.

Na China, ensino técnico ganha força e atrai jovens da geração Z em busca de empregabilidade

O aumento da atratividade do ensino técnico também pode ser visto como parte da adaptação da China a uma economia em transformação, que busca reduzir gargalos de mão de obra especializada

Em um cenário de alta concorrência por vagas universitárias e demandas específicas do mercado de trabalho, a educação técnica na China está experimentando um crescimento notável e atraindo um número crescente de jovens da geração Z. Motivados pela perspectiva de rápida inserção profissional, salários competitivos e a valorização de habilidades práticas, muitos estudantes estão optando por cursos técnicos em detrimento de diplomas universitários tradicionais.

O movimento reflete uma transformação estrutural na economia chinesa, que demanda mão de obra qualificada em setores estratégicos, e uma mudança de mentalidade entre os jovens, que passam a priorizar a empregabilidade concreta em vez do prestígio acadêmico abstrato.

Políticas públicas e incentivos governamentais

O governo chinês tem desempenhado um papel central nessa expansão, implementando reformas educacionais que fortalecem a educação vocacional como pilar do desenvolvimento nacional de talentos. Metas ambiciosas foram estabelecidas para ampliar a oferta de vagas, modernizar a infraestrutura das escolas técnicas e criar parcerias diretas com a indústria.

Em diversas províncias, instituições de ensino técnico agora oferecem programas em áreas críticas para a economia, como:

  • Tecnologia da Informação e Ciência de Dados

  • Manufatura Avançada e Robótica

  • Energias Renováveis

  • Logística Inteligente

  • Cuidados de Saúde e Biotecnologia

Muitos desses cursos contam com certificações reconhecidas pelo setor produtivo e incluem estágios obrigatórios, garantindo uma transição suave da sala de aula para o posto de trabalho.

Mudança de mentalidade da geração Z

Para muitos jovens chineses, a decisão é pragmática. O acesso às universidades de elite é extremamente competitivo, e o custo de um diploma superior nem sempre se traduz em melhores oportunidades imediatas.

Com mais vagas e valorização de habilidades práticas, formação técnica ganha espaço em detrimento de diplomas universitários

“Vejo meus colegas mais velhos formados em universidades lutando para encontrar um bom emprego, enquanto os que fizeram cursos técnicos em áreas como manutenção de drones ou programação já estão empregados e bem remunerados”, relata Zhang Wei, 19 anos, estudante de uma escola técnica em Shenzhen. “Para mim, faz mais sentido adquirir uma habilidade prática direto.”

Demanda do mercado e caminhos híbridos

Especialistas em educação e recrutamento destacam que a demanda por técnicos especializados supera a oferta em vários setores, pressionando salários para cima e aumentando a atratividade dessas carreiras.

Além disso, a fronteira entre o ensino técnico e o superior está se tornando mais fluida. Muitos estudantes estão adotando trajetórias híbridas: primeiro, buscam uma qualificação técnica para ingressar rapidamente no mercado; depois, complementam a formação com cursos universitários, muitas vezes com o apoio financeiro dos próprios empregadores.

Desafios e futuro

Apesar do impulso, o setor enfrenta obstáculos. Há uma necessidade constante de atualizar currículos em ritmo com a inovação tecnológica, equalizar a qualidade do ensino entre regiões ricas e menos desenvolvidas e combater o estigma cultural que ainda associa o sucesso profissional exclusivamente ao diploma universitário.

A sustentabilidade da tendência dependerá da capacidade contínua de alinhamento entre educação e indústria. Se mantido, esse movimento pode não apenas oferecer novas oportunidades para milhões de jovens chineses, mas também fornecer o combustível de mão de obra qualificada necessário para a próxima fase de desenvolvimento econômico da China.

(*) Com informações da Brasil China

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