Siga nossas redes

Manaus

“Cadê o Prefeito?”: Moradores do Distrito Industrial Protestam Contra “Tapete de Buracos” e Acusam Prioridade a Áreas Nobres

Manifestantes interditaram rua na Zona Leste de Manaus, queimando pneus em protesto contra o estado crítico das vias. Protesto contrasta com aditivos milionários assinados pela prefeitura para serviços de asfalto

“Cadê o Prefeito?”: Moradores do Distrito Industrial Protestam Contra “Tapete de Buracos” e Acusam Prioridade a Áreas Nobres

Manaus, AM – Moradores do Distrito Industrial realiza uma manifestação nesta segunda-feira (19) em protesto contra as péssimas condições das vias da região, tomadas por buracos que têm causado transtornos constantes aos motoristas. Indignada com a situação, a população fez críticas ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), acusando a gestão municipal de priorizar áreas nobres da cidade, como o bairro da Ponta Negra, enquanto outros bairros enfrentam abandono.

Segundo os manifestantes, os problemas já resultaram em diversos acidentes, alguns deles com vítimas fatais. No Distrito Industrial, conforme os moradores, as ruas se transformaram em um verdadeiro “tapete de buracos”.

Durante o protesto, os manifestantes incendiaram pneus, pedaços de madeira e outros objetos, bloqueando completamente a via para impedir a passagem de veículos. Com o fechamento da rua, motoristas precisaram buscar rotas alternativas, e apenas motocicletas conseguiam passar por um desvio improvisado.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, uma moradora registrou o momento da manifestação e desabafou sobre a revolta da população:

“Manifestação de novo aqui, ó. No final da pista da Raquete, aqui, próxima à fábrica da Porta Arcoma. Tá maior o transtorno. A situação aqui tá feia, feia mesmo. O povo se reuniu aqui, ó. Aí fecharam a rua. Inclusive eles estão desviando, os motoqueiros estão desviando, pegando a Rua 9 de Dezembro. Só passa moto. E agora mesmo caiu um motoqueiro no buraco lá. Não deu tempo de fazer, foi muito rápido. O povo reivindicando os seus direitos aqui, ó. Cadê o prefeito lambanceiro? O mentiroso, cara de pau. Agora anda na Ponta Negra pra ver a Avenida São Jorge ali, ó. O asfalto lá é bacana, só um tapete. Aqui não, aqui é um tapete de buraco. O povo tá cansado de sofrer. Agora o povo vem do trabalho cansado, chega aqui, ó. Sendo que vai chegar na sua casa, os caminhões desviando. Essa é a realidade do povo da Zona Leste”, disse a moradora.

Gastos em contratos com a Seminf

Os buracos em vias da cidade constrastam co os valores milionários gastos pela gestão do prefeito David Almeida com serviços de asfaltamento na capital. Em agosto de 2025, mesmo em meio à polêmica sobre a qualidade das obras, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) assinou três aditivos contratuais que, juntos, ultrapassam R$ 78 milhões.

Os extratos, publicados no Diário Oficial do Município (DOM), foram assinados pelo subsecretário de Gestão e Planejamento da Seminf, Heliatan Botelho Corrêa. O maior aditivo foi firmado com a Construtora Progresso Ltda, no valor de R$ 23.469.399,33, destinado, segundo a justificativa oficial, a serviços de contenção de processos erosivos e urbanização de áreas degradadas em todas as zonas da cidade.

Outro contrato renovado foi com a empresa Compasso Construções, Terraplanagem e Pavimentação Ltda, no valor de R$ 12.779.102,33, para serviços contínuos de recuperação viária no Lote 11, que abrange a região do Santa Etelvina 1. A mesma empresa também teve renovado o contrato do Lote 12, referente ao Santa Etelvina 2, no valor de R$ 15.271.495,38.

Apesar dos altos investimentos anunciados pela Prefeitura, os problemas estruturais em vias importantes da cidade continuam se repetindo, levantando questionamentos sobre a qualidade das obras executadas e a eficiência na aplicação dos recursos públicos.

Em agosto de 2025, a tentativa de instaurar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Asfalto para investigar a aplicação de mais de R$ 187 milhões repassados pelo Governo do Estado à Prefeitura de Manaus não avançou. Embora o pedido, protocolado pelo deputado estadual Delegado Péricles (PL), tenha reunido dez assinaturas, a CPI não foi formalmente instalada por falta de uma assinatura necessária.

Leia mais:

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

13 + treze =

Mais em Manaus