
Foto: Portal oabutre
O município de Iranduba, localizado a 27 quilômetros de Manaus, vive um colapso ambiental e sanitário há anos, com um cenário de abandono que tem gerado doenças, degradação do solo e revolta popular. O símbolo máximo do problema é o lixão do Km 6, que opera há mais de 30 anos em desacordo com a legislação nacional de resíduos sólidos. A insatisfação da população ficou explícita na última quarta-feira (10), durante as comemorações do aniversário de 44 anos da cidade, quando o prefeito Augusto Ferraz (União Brasil) foi vaiado ao subir no palco para discursar.
Moradores de comunidades rurais e urbanas relatam uma realidade devastadora: fumaça tóxica constante de queimadas, chorume escorrendo sem controle, igarapés poluídos e poços artesianos contaminados. O lixão, que recebe resíduos até de órgãos públicos municipais, tornou-se uma “bomba sanitária”, segundo lideranças locais. Crianças passam pelo local a caminho da escola, e catadores trabalham sem qualquer equipamento de proteção, levando para casa alimentos e objetos retirados do lixo.
“Isso é inaceitável e imoral”
André Peres, presidente da Associação Rural da Comunidade São Francisco, que mora a dois quilômetros do lixão, é um dos que cobram ações. “Bilhões entram no município e a gente, no século 21, vive essa pobreza toda. Isso é inaceitável e imoral”, desabafa. Ele critica a falta de políticas públicas: a cidade não tem coleta seletiva, educação ambiental ou projeto de aterro sanitário.
A saúde pública está em risco. Benedito Leite, líder comunitário do Novo Paraíso, relata que o filho amanheceu com olhos inchados e garganta inflamada por causa da fumaça. Agricultores já não conseguem plantar em terras desvalorizadas pela poluição. “O lixão a céu aberto nos prejudica muito no verão e já polui há mais de 30 anos e ninguém faz nada”, afirma Leite.
Trabalhador doente e sem opção
A face mais cruel do descaso está nos próprios trabalhadores do lixão. José Batista Coelho, 64 anos, vigia do local desde 2016, está doente, com sintomas de ansiedade, cansaço extremo e já teve um princípio de AVC. Sem outras opções de emprego, continua exposto diariamente à fumaça e ao chorume em condições insalubres.
A situação é agravada pelo histórico de promessas não cumpridas pela atual gestão. O prefeito Augusto Ferraz, reeleito em 2024, foi vaiado ao tentar discursar sobre as ações de seu governo durante a festa de aniversário da cidade. O episódio reflete o desgaste político e a perda de credibilidade de uma administração que não consegue resolver um problema crônico que afeta a qualidade de vida de toda a população.
Enquanto isso, Iranduba segue afundando em um cenário de descaso ambiental e social, com a população pagando o preço da inércia do poder público. A Lei Federal 12.305/2010, que determinou o fim dos lixões até 2024, parece ignorada no município, que continua sem um plano para destinação adequada dos resíduos ou para o reassentamento das famílias que vivem na área contaminada.
(*) Com informações do Portal oabutre
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