
Juliana Brasil Santos e Rayssa Bentes são investigadas pela morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos - Fotos: Reprodução
O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) manifestou-se favorável à suspensão do exercício profissional da médica Juliana Brasil Santos e da técnica de enfermagem Rayssa Bentes, ambas envolvidas no atendimento que resultou na morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, no Hospital Santa Júlia, no último domingo (23). A informação foi divulgada pelo portal A Crítica nesta quinta-feira (27).
A manifestação do MP-AM, assinada pelo promotor Fabrício Santos de Almeida, integra os autos do pedido de prisão preventiva da médica, formulado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). Juliana Santos prescreveu adrenalina intravenosa para Benício, em dosagem considerada muito acima do recomendado, o que teria causado a morte da criança. O caso foi distribuído à 1ª Vara do Tribunal do Júri, sob responsabilidade do juiz Fábio César Olintho.
Medidas cautelares substituem pedido de prisão
Embora tenha se posicionado contra a prisão preventiva e contra o pedido de busca e apreensão da médica, o promotor recomendou a aplicação de medidas cautelares alternativas. A principal delas é “a suspensão do exercício profissional junto ao Conselho Regional de Medicina e ao Conselho Federal de Medicina, uma vez que há justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais”.
Além disso, Fabrício Santos de Almeida propôs que a médica seja obrigada a:
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Comparecer periodicamente em juízo para prestar informações sobre suas atividades;
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Manter-se afastada do contato com a família da vítima;
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Não deixar Manaus sem autorização judicial.
As mesmas medidas foram solicitadas para a técnica de enfermagem Rayssa Bentes, que aplicou a medicação. Ela não havia sido incluída no pedido de prisão preventiva porque ainda não tinha sido identificada pela polícia quando o documento foi encaminhado à Justiça.
Investigação em andamento
Benício Xavier de Freitas foi atendido no Hospital Santa Júlia no último sábado (23) com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. De acordo com relatos da família, a médica prescreveu três doses de adrenalina intravenosa – procedimento questionado pelos pais, uma vez que a criança só havia recebido o medicamento por nebulização em ocasiões anteriores.
Minutos após a aplicação, o menino teve uma piora súbita no estado de saúde, com alteração de cor, queixas de ardência no coração e sangramento pela boca e nariz. Ele foi transferido para a UTI, sofreu seis paradas cardíacas e não resistiu.
O Hospital Santa Júlia já afastou as duas profissionais e informou que a Comissão de Óbito e Segurança do Paciente concluiu a análise interna do caso. Todos os dados, segundo a unidade, serão repassados formalmente às autoridades e à família.
O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) também instaurou procedimento para apurar a conduta da médica, que tramita em sigilo.
Com informações de A Crítica.
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