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Colunista

Marcos Souza

A Inteligência Artificial acabará com os escritores, se os escritores não acabarem com ela

Uma breve reflexão após a Editora Kotter ter cancelado o seu prêmio literário por receber inúmeras obras geradas por Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial acabará com os escritores, se os escritores não acabarem com ela

Imagem gerada por Inteligência Artificial

Vivemos um momento de profunda transformação na forma como os livros são escritos. A ascensão das inteligências artificiais, como o ChatGPT e outras ferramentas de geração de texto, está remodelando os bastidores da criação literária. O que antes era um ofício solitário, artesanal e visceral — o ato de escrever — agora pode ser acelerado por algoritmos que oferecem frases bem construídas, descrições detalhadas e até mesmo sugestões de enredos completos. Mas a que custo?

Cada vez mais escritores — ou aspirantes a escritores — têm recorrido à IA para acelerar processos criativos, vencer bloqueios ou simplesmente “otimizar” o trabalho. Em muitos casos, o uso é declarado; em outros, silencioso. E se por um lado é tentador enxergar na IA uma parceira criativa, por outro é impossível ignorar as implicações éticas, estéticas e culturais desse novo cenário.

A literatura sempre foi mais do que texto bem escrito. Ela carrega a tensão da dúvida, a marca da hesitação, o rastro da experiência vivida. É uma linguagem falha, por vezes crua, porque reflete o humano. Um romance, um poema ou um conto é atravessado por traumas, contextos históricos, paixões, contradições — elementos que não se ensinam com datasets. Quando permitimos que uma máquina dite o tom, a metáfora e o ritmo, estamos, pouco a pouco, esterilizando a arte da escrita.

A IA é incapaz de errar como erram os grandes autores — e esse é justamente o ponto. Não há lapsos de genialidade nem desvios corajosos no que ela propõe. Suas construções são quase sempre coerentes, mas raramente subversivas. Ela imita, recombina, prevê — mas não inventa no sentido mais profundo e arriscado da criação literária. Um texto feito por IA pode soar bonito, pode emocionar momentaneamente, mas carece da densidade que nasce do conflito interno de quem escreve de verdade.

O mercado editorial também já começa a sentir os efeitos dessa avalanche. Editoras, revistas e concursos literários precisam agora criar cláusulas de proteção contra obras geradas (ou mesmo “apenas ajudadas”) por IA. O medo é real: estamos diante de uma possível inundação de obras vazias, formatadas e rapidamente produzidas, que ocupam o espaço de vozes humanas originais e diversas.

Claro, não se trata de demonizar a tecnologia. Ferramentas são ferramentas — e podem ter usos valiosos quando manejadas com consciência. Um escritor pode, sim, se beneficiar de um corretor gramatical inteligente ou até brincar com sugestões de uma IA para provocar a própria criatividade. Mas há uma linha tênue entre o uso responsável e a terceirização do pensamento. Quando se cruza essa linha, não é só a literatura que perde: é a capacidade humana de imaginar e transformar o mundo por meio da linguagem.

É preciso fazer uma escolha. Ou continuamos apostando na potência insubstituível da escrita humana — com todas as suas imperfeições e profundidades — ou abrimos mão da autoria como valor e deixamos que a ficção seja cada vez mais um produto industrial, sem alma, criado para agradar algoritmos e não leitores.

A inteligência artificial pode, sim, escrever. Mas a pergunta mais urgente talvez seja: devemos permitir que ela escreva no nosso lugar?

 

*O texto acima, com exceção do título e subtítulo (linha-fina), foi escrito integralmente por Inteligência Artificial através do ChatGPT.

* E de acordo com o detector de conteúdo produzido por IA, o ZeroGPT, o texto foi produzido por um humano, tendo apenas 9,3% de conteúdo de IA.

*A produção deste artigo em sua totalidade demorou menos de cinco minutos.

 

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