
Imagem gerada por Inteligência Artificial
Vivemos um momento de profunda transformação na forma como os livros são escritos. A ascensão das inteligências artificiais, como o ChatGPT e outras ferramentas de geração de texto, está remodelando os bastidores da criação literária. O que antes era um ofício solitário, artesanal e visceral — o ato de escrever — agora pode ser acelerado por algoritmos que oferecem frases bem construídas, descrições detalhadas e até mesmo sugestões de enredos completos. Mas a que custo?
Cada vez mais escritores — ou aspirantes a escritores — têm recorrido à IA para acelerar processos criativos, vencer bloqueios ou simplesmente “otimizar” o trabalho. Em muitos casos, o uso é declarado; em outros, silencioso. E se por um lado é tentador enxergar na IA uma parceira criativa, por outro é impossível ignorar as implicações éticas, estéticas e culturais desse novo cenário.
A literatura sempre foi mais do que texto bem escrito. Ela carrega a tensão da dúvida, a marca da hesitação, o rastro da experiência vivida. É uma linguagem falha, por vezes crua, porque reflete o humano. Um romance, um poema ou um conto é atravessado por traumas, contextos históricos, paixões, contradições — elementos que não se ensinam com datasets. Quando permitimos que uma máquina dite o tom, a metáfora e o ritmo, estamos, pouco a pouco, esterilizando a arte da escrita.
A IA é incapaz de errar como erram os grandes autores — e esse é justamente o ponto. Não há lapsos de genialidade nem desvios corajosos no que ela propõe. Suas construções são quase sempre coerentes, mas raramente subversivas. Ela imita, recombina, prevê — mas não inventa no sentido mais profundo e arriscado da criação literária. Um texto feito por IA pode soar bonito, pode emocionar momentaneamente, mas carece da densidade que nasce do conflito interno de quem escreve de verdade.
O mercado editorial também já começa a sentir os efeitos dessa avalanche. Editoras, revistas e concursos literários precisam agora criar cláusulas de proteção contra obras geradas (ou mesmo “apenas ajudadas”) por IA. O medo é real: estamos diante de uma possível inundação de obras vazias, formatadas e rapidamente produzidas, que ocupam o espaço de vozes humanas originais e diversas.
Claro, não se trata de demonizar a tecnologia. Ferramentas são ferramentas — e podem ter usos valiosos quando manejadas com consciência. Um escritor pode, sim, se beneficiar de um corretor gramatical inteligente ou até brincar com sugestões de uma IA para provocar a própria criatividade. Mas há uma linha tênue entre o uso responsável e a terceirização do pensamento. Quando se cruza essa linha, não é só a literatura que perde: é a capacidade humana de imaginar e transformar o mundo por meio da linguagem.
É preciso fazer uma escolha. Ou continuamos apostando na potência insubstituível da escrita humana — com todas as suas imperfeições e profundidades — ou abrimos mão da autoria como valor e deixamos que a ficção seja cada vez mais um produto industrial, sem alma, criado para agradar algoritmos e não leitores.
A inteligência artificial pode, sim, escrever. Mas a pergunta mais urgente talvez seja: devemos permitir que ela escreva no nosso lugar?
*O texto acima, com exceção do título e subtítulo (linha-fina), foi escrito integralmente por Inteligência Artificial através do ChatGPT.
* E de acordo com o detector de conteúdo produzido por IA, o ZeroGPT, o texto foi produzido por um humano, tendo apenas 9,3% de conteúdo de IA.
*A produção deste artigo em sua totalidade demorou menos de cinco minutos.
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