Brasília – A Câmara dos Deputados viveu cenas de tensão e confronto físico no final da tarde desta terça-feira (9). O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força pela Polícia Legislativa da cadeira da presidência do plenário, que ele ocupava em protesto contra a cassação de seu mandato, prevista para ser votada nesta quarta-feira (10). A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), esposa de Glauber, também foi atingida ao tentar intervir. A imprensa foi expulsa do plenário durante a ação e impedida de acompanhar o desenrolar dos fatos de perto.
Imagens gravadas por parlamentares com celulares mostram momentos de empurra-empurra entre policiais legislativos e o deputado, que resistia à remoção. “Que me arranquem da cadeira e me tirem em plenário”, havia dito Glauber Braga antes do ato, simbolizando sua resistência. A TV Câmara teve seu sinal cortado durante o episódio, impedindo a transmissão ao vivo.
Glauber denuncia tratamento desigual e “anistia aos golpistas”
Após ser retirado, Glauber deu declarações à imprensa, solidarizando-se com os jornalistas que, segundo ele, também foram agredidos e tiveram o trabalho cerceado. Ele criticou duramente o presidente da Câmara, Hugo Motta (PP-PB), pela diferença de tratamento em relação a parlamentares de direita com processos de cassação.
“A única coisa que eu pedi ao presidente da Câmara, Hugo Motta, foi que ele tivesse 1% do tratamento que teve com aqueles que sequestraram a Mesa Diretora por 48 horas — dois dias — em associação com o deputado que está nos Estados Unidos conspirando contra o nosso país. Com eles, houve diálogo, e em nenhum momento se cogitou tirá-los com a Polícia Legislativa”, afirmou.
Glauber situou seu processo no contexto de uma “ofensiva de anistia aos golpistas”. “Eles querem manter os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro. […] Fizeram a mesma coisa com Chiquinho Brazão, acusado de ser o mandante do assassinato de Marielle. E, ao mesmo tempo, comparam com o caso da Carla Zambelli, que já teve os direitos políticos cassados e está presa”, declarou, acusando a Casa de tentar silenciá-lo por ter batido de frente contra o orçamento secreto.
Processos de cassação com naturezas distintas votados juntos
Glauber responde a processo por quebra de decoro após empurrar e expulsar um militante do MBL que ofendeu sua mãe, a falecida ex-prefeita Saudade Braga, em 2024. O Conselho de Ética recomendou a cassação.
No mesmo dia da votação de Glauber (10), será decidida também a cassação de Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão de sistema e falsidade ideológica, e já presa na Itália. Já o processo de cassação de Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado a mais de 16 anos por participação em tentativa de golpe e foragido nos EUA, foi para a semana seguinte. O caso de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que excedeu o limite de faltas e está nos EUA desde março, ainda não tem data.
O arranjo coloca lado a lado acusações de naturezas completamente diferentes – de um episódio de confronto pessoal a crimes graves contra a democracia –, criando uma aparência de uniformidade que é alvo de críticas de parte da oposição e de analistas políticos. A votação de amanhã promete acirrar ainda mais os ânimos na Casa.
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